Resultados mistos pressionam ação do Santander
O Santander (SANB11) divulgou seus números trimestrais, registrando lucro de R$ 4,1 bilhões. Esse valor superou a projeção do consenso da Bloomberg, que esperava R$ 4 bilhões.
Apesar do desempenho acima das expectativas, o papel apresentou desvalorização no pregão. Por volta das 11h48, a ação caía 0,53%, após recuar 2,75% mais cedo.
A desvalorização acumulada chega a cerca de 5%, indicando reação negativa do mercado aos detalhes do balanço. Esse movimento contrasta com o lucro reportado, sugerindo que outros fatores pesaram na avaliação dos investidores.
Qualidade de ativos preocupa analistas
Inadimplência em alta
Analistas do Citi destacaram que a qualidade dos ativos segue como um dos principais desafios para o banco. A inadimplência segue em alta tanto nas faixas de 15 a 90 dias quanto acima de 90 dias.
Esse é um sinal claro de pressão na carteira de crédito do Santander.
Renegociações e recuperações
As renegociações ganharam peso na carteira, com expansão sequencial de 9% do portfólio renegociado. As recuperações e os níveis de cobertura recuaram na comparação trimestral.
O Safra avalia que parte do movimento de venda do papel pode estar relacionada à extensão dos períodos de baixa contábil, refletindo esses problemas.
Eficiência e rentabilidade em foco
Os esforços de eficiência do banco ficaram aquém do esperado no período, conforme os dados divulgados. O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do Santander ficou em 17,6% no quarto trimestre.
Em relação ao quarto trimestre de 2024, o ROAE teve queda de 0,1 ponto percentual, mas apresentou estabilidade frente ao terceiro trimestre de 2025.
Essa mistura de indicadores mostra desempenho irregular, com aspectos positivos e outros que demandam atenção. A combinação de eficiência abaixo do esperado com desafios na qualidade de ativos ajuda a explicar a cautela do mercado.
Perspectivas do CEO para o futuro
O CEO do Santander, Mario Leão, apresentou perspectivas para os próximos anos. Segundo ele, a expectativa é que vários portfólios tenham desempenho melhor em 2026 do que em 2025.
No entanto, alguns segmentos seguem pressionados atualmente:
- Agronegócio
- Pequenas empresas
- Parte da carteira de pessoas físicas, especialmente na baixa renda
Essa visão reconhece os desafios imediatos, mas projeta recuperação a médio prazo. A declaração busca equilibrar os sinais negativos atuais com cenário mais otimista no horizonte.
Recomendação de analistas para investidores
Diante desse cenário misto, a recomendação da XP para o papel do Santander é de compra, com preço-alvo de R$ 35. Essa posição sugere que, apesar dos sinais negativos recentes, há potencial de valorização no longo prazo.
A análise considera tanto os desafios na qualidade dos ativos e na inadimplência quanto as perspectivas futuras apresentadas pela administração.
Para investidores, a decisão envolve pesar os riscos atuais contra as oportunidades de ganho. O mercado continuará monitorando a evolução desses indicadores nos próximos trimestres.
