A Dasa, um dos maiores grupos de saúde do país, retomou os investimentos em sua área-chave, a medicina diagnóstica, após anos de batalha para conter a pressão financeira de uma dívida elevada. A guinada foi sinalizada por Rafael Lucchesi ao assumir o comando da companhia em meados de 2025. O executivo apontou que a empresa estava pronta para voltar a crescer com foco em exames e processamento laboratorial.
Os investimentos, que ficaram represados no período de aperto financeiro, são considerados fundamentais para retomar um crescimento mais acelerado. A estratégia inclui segmentação de serviços e aumento da capacidade de processamento de exames de terceiros, conforme citado pela própria companhia. A retomada ocorre em um momento de melhora gradual dos indicadores financeiros.
Receitas de diagnósticos avançam 8% no trimestre
As receitas em medicina diagnóstica cresceram 8% na comparação anual, alcançando R$ 2,363 bilhões no terceiro trimestre. No acumulado de janeiro a setembro, o avanço foi de 11%, para R$ 6,767 bilhões. Houve queda no resultado consolidado que inclui hospitais e outros ativos da cisão que deu origem à Rede Américas, mas a área de diagnósticos segue como motor de expansão.
O desempenho reflete a retomada da demanda e a maior eficiência operacional, ainda que a empresa não detalhe todos os componentes do crescimento. A fonte não detalhou a contribuição específica de cada linha de serviço dentro do segmento. A transição para um modelo mais focado em diagnósticos parece ganhar tração.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Alavancagem cai e caixa operacional dispara
O endividamento medido pela alavancagem ficou em 2,76 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, abaixo das 2,91 vezes registradas no segundo trimestre. A dívida líquida caiu 18,4% em um ano, para R$ 5,4 bilhões. A redução do endividamento é um dos pilares da nova fase da companhia.
“A geração de caixa é uma das principais evidências da evolução financeira da Dasa”, disse o CEO ao InvestNews sobre o que apontou como ponto-chave do resultado do terceiro trimestre, divulgado ao mercado no início da noite de quinta-feira (5). Nos primeiros nove meses de 2026, a Dasa gerou R$ 824 milhões de caixa operacional, com crescimento de 71% na base anual, e R$ 666 milhões de fluxo de caixa livre, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior.
“Essa evolução nos permite seguir investindo de forma seletiva em tecnologia, modernização e produtividade, ao mesmo tempo em que avançamos na redução do endividamento”, acrescentou o executivo. A disciplina financeira continua no radar, mesmo com a retomada dos aportes.
Núcleo técnico em Brasília amplia capacidade
Um exemplo do que o CEO descreve como investimento seletivo foi concluído e apresentado ao mercado há um mês: a inauguração de um Núcleo Técnico Operacional (NTO) de grande porte em Brasília, com capacidade inicial de processamento de 2,4 milhões de exames. A unidade faz parte de um projeto mais amplo de modernização de 18 NTOs espalhados pelo país, de valores não revelados, mas que o grupo classifica como o seu maior investimento já realizado.
Nos nove primeiros meses de 2026, a Dasa realizou investimentos que somaram R$ 176 milhões, com acréscimo de 25,1% em bases comparáveis. Desse total, R$ 93 milhões foram destinados a manutenção e expansão, e R$ 83 milhões em tecnologia, o que inclui novos exames no país. A modernização da infraestrutura é vista como essencial para suportar o crescimento futuro.
Segmentação mira saúde da mulher
Outro pilar da estratégia de expansão em medicina diagnóstica tem sido o da segmentação, com foco em atendimentos personalizados. É o caso da chamada saúde da mulher, com laboratórios dedicados e exames voltados a esse público, com profissionais igualmente especializados. A iniciativa busca atender uma demanda crescente por serviços mais direcionados.
Relatórios de mercado citados pela Dasa apontam que o segmento de saúde da mulher pode registrar crescimento anual composto de 16% até 2034, com impulso de personalização, uso de dados e integração entre prevenção, diagnóstico e acompanhamento. Hoje o ritmo de expansão já é superior ao do público amplo atendido nos laboratórios do grupo, o que confirma uma tendência já presente. A aposta em nichos específicos deve ganhar ainda mais relevância nos próximos trimestres.
Fonte
- investnews.com.br
- medicina diagnóstica (www.bloomberglinea.com.br)
- maior investimento (www.bloomberglinea.com.br)
