Eleições globais sinalizam enfraquecimento do trumpismo
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Os brasileiros pegaram o mercado no contrapé no domingo passado e se uniram em torno do veterano presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou um quarto mandato. A vitória de Lula representa não apenas uma rejeição ao candidato de direita Flávio Bolsonaro, mas também um desafio à influência dos Estados Unidos na América Latina. Com esse resultado, o Brasil se junta a uma série de países onde aliados do ex-presidente americano Donald Trump vêm sofrendo derrotas eleitorais.

Lula rejeita submissão aos Estados Unidos

Durante a campanha, Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil “não era quintal de ninguém”. Essa postura confronta diretamente a chamada Doutrina Donroe, associada a Trump, que buscava afirmar o domínio dos EUA sobre a região. A vitória do petista, portanto, tem um significado que ultrapassa as fronteiras brasileiras.

Essa foi mais uma de várias eleições recentes perdidas por aliados internacionais de Trump. E serve como indício de uma guinada para longe do trumpismo global. A tendência, contudo, não é uniforme e encontra resistência em diferentes partes do mundo.

Europa e Canadá reforçam laços

Numa cúpula em Montreal nesta semana, a União Europeia e o Canadá se comprometeram a aprofundar os laços em áreas que vão de defesa e segurança a educação, numa demonstração da estratégia de “potência média” do primeiro-ministro Mark Carney. O encontro sinalizou uma aproximação entre blocos que, em muitos aspectos, contrasta com a retórica de Trump.

Ao exaltar valores comuns como “democracia, respeito pela ordem internacional baseada em regras e compromisso com o comércio livre e justo”, o texto da UE soou como uma tentativa de provocar Trump na véspera do teste eleitoral de 3 de novembro. Ainda assim, líderes estrangeiros, compreensivelmente, evitam dar opinião sobre as eleições americanas, compartilhem ou não o manual de Trump.

África do Sul espera alívio eleitoral

Outros simplesmente esperam que as eleições tragam algum alívio. Entre eles está a África do Sul, alvo de críticas de Trump e excluída das reuniões do G20 sediadas neste ano pelos EUA, embora seja membro permanente desde a criação do grupo, em 1999. O país africano vê no pleito americano uma possível mudança de postura por parte de Washington.

Os mesmos fatores por trás desses episódios díspares aparecem nos EUA, onde acontecem na terça (3) as eleições de meio de mandato. O resultado pode confirmar ou reverter a percepção de que o trumpismo está em declínio.

Meio de mandato testa força trumpista

Está em jogo um terço do Senado e as 435 cadeiras da Câmara. As pesquisas indicam que o Partido Republicano vai perder o controle de pelo menos uma das casas do Congresso. Há sinais de que o fascínio por Trump pode ter passado do auge, mas a disputa segue acirrada.

Mesmo que o mundo de fato tenha passado do auge do trumpismo, porém, há provas de sobra de que esses valores seguem atraentes, seja qual for o resultado da votação de terça-feira. Em diferentes países, movimentos políticos continuam a ecoar as bandeiras do ex-presidente americano.

Trumpismo ainda atrai em outros países

Lula é praticamente o último líder sul-americano a resistir à chamada Doutrina Donroe, de Trump. Na Austrália, o partido One Nation, de Pauline Hanson, ganhou popularidade com políticas ao estilo Trump, como o negacionismo climático e a oposição à imigração. Esses exemplos mostram que a ideologia trumpista mantém apelo em certos setores.

Mas a concorrência nunca está longe. A Bloomberg Intelligence prevê que a China liderará o mundo em oito de 17 tecnologias estratégicas até 2030, entre elas os grandes modelos de linguagem que são o núcleo da IA. O avanço chinês representa um desafio adicional à hegemonia americana e pode influenciar o equilíbrio de poder global.

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