ONU aprova resolução contra embargo dos EUA a Cuba
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A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução contra o embargo unilateral mantido pelos Estados Unidos contra Cuba há quase 27 anos. A medida foi aprovada com 130 votos favoráveis, incluindo o do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. Esse foi o menor apoio ao fim do bloqueio em 30 anos, e a queda está relacionada a uma campanha intensa dos Estados Unidos para convencer países aliados a rejeitarem a resolução.

Votação registra menor apoio em três décadas

O resultado da votação na Assembleia Geral da ONU revelou um cenário de crescente isolamento diplomático para Cuba. Com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções, a resolução obteve o menor número de apoios desde que o tema começou a ser votado anualmente, há três décadas. A fonte não detalhou o total de países presentes na sessão, mas os números indicam uma redução significativa em comparação com anos anteriores, quando o apoio costumava ultrapassar 180 votos.

Essa queda expressiva é atribuída, segundo a fonte, a uma campanha intensa dos Estados Unidos para convencer países aliados a rejeitarem a resolução. Diplomatas americanos teriam atuado diretamente junto a governos de diversas regiões, oferecendo incentivos e pressionando por mudanças de voto. A estratégia parece ter surtido efeito, especialmente entre nações que historicamente se abstinham ou votavam a favor, mas que desta vez optaram por se alinhar a Washington.

A votação desta quarta-feira reflete um novo capítulo na disputa diplomática em torno do embargo. Enquanto Cuba e seus apoiadores defendem o fim imediato das sanções, os Estados Unidos argumentam que a medida é uma ferramenta legítima de pressão por mudanças políticas na ilha. A resolução aprovada, embora simbólica, reforça a posição majoritária da comunidade internacional contra o bloqueio, mas o resultado apertado sinaliza um terreno cada vez mais difícil para os defensores do fim do embargo.

Brasil retoma posição histórica e vota a favor

O Brasil votou a favor da resolução, retomando uma postura que foi interrompida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em quase todas as votações anteriores, o Brasil se colocou favorável ao fim do bloqueio. As exceções foram em três ocasiões no governo Bolsonaro: em 2019, o país votou contra; em 2021 e 2022, se absteve. A mudança de posição neste ano marca um retorno à tradição diplomática brasileira de apoio a Cuba na ONU.

A decisão do governo brasileiro de votar a favor da resolução foi recebida com expectativa por observadores internacionais. O Brasil, como uma das maiores economias da América Latina, tem peso significativo nas votações da Assembleia Geral. A fonte não detalhou as razões específicas para o voto brasileiro, mas a retomada da posição histórica sugere um alinhamento com a maioria dos países em desenvolvimento, que veem o embargo como uma violação do direito internacional e um obstáculo ao desenvolvimento de Cuba.

A alternância de posições do Brasil nos últimos anos ilustra como a política externa pode oscilar conforme a orientação ideológica do governo. Enquanto a gestão Bolsonaro adotou uma postura de alinhamento automático com os Estados Unidos, o atual governo parece priorizar a solidariedade regional e o respeito aos princípios da Carta da ONU. A fonte não detalhou se houve negociações bilaterais entre Brasil e Cuba antes da votação, mas o voto favorável foi celebrado por movimentos sociais e partidos de esquerda no país.

Embargo dura quase seis décadas e agrava crise

Cuba sofre com um bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1960. Na época, Washington tomou a medida em retaliação à revolução cubana de 1959, que levou Fidel Castro ao poder e nacionalizou propriedades americanas na ilha. Desde então, o embargo se tornou um dos mais longos da história moderna, afetando praticamente todos os setores da economia cubana, do comércio exterior ao turismo, passando pela importação de alimentos, medicamentos e tecnologia.

Este ano, o governo de Donald Trump intensificou as sanções contra a ilha, agravando ainda mais a crise econômica do país. Desde então, Cuba enfrenta escassez de energia, combustível, gás de cozinha, medicamentos e serviços essenciais. A inflação deste ano cresceu 25% em relação a 2025, corroendo o poder de compra da população e ampliando o descontentamento social. A fonte não detalhou os setores mais afetados pela inflação, mas a alta generalizada de preços tem impacto direto na qualidade de vida dos cubanos.

A intensificação das sanções americanas ocorre em um momento de fragilidade econômica para Cuba, que ainda tenta se recuperar dos efeitos da pandemia de covid-19 e da crise energética global. A escassez de combustível, por exemplo, tem provocado apagões frequentes e longas filas em postos de gasolina. A falta de medicamentos, por sua vez, coloca em risco a vida de pacientes com doenças crônicas, que dependem de insumos importados. A fonte não detalhou se há mortes relacionadas à escassez, mas organizações humanitárias têm alertado para a gravidade da situação.

Resolução simbólica pressiona por mudanças

Embora a resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU não tenha caráter vinculante, ela exerce pressão política e moral sobre os Estados Unidos. A votação anual serve como um termômetro do isolamento diplomático de Washington em relação a Cuba. O fato de o apoio à resolução ter caído para o menor nível em 30 anos, porém, indica que a campanha americana tem conseguido minar a coalizão pró-Cuba, especialmente entre países da América Latina e do Caribe.

A resolução pede o fim do embargo e o respeito à soberania de Cuba, mas os Estados Unidos têm ignorado sistematicamente as decisões da Assembleia Geral sobre o tema. A fonte não detalhou se o governo americano se pronunciou oficialmente após a votação desta quarta-feira, mas historicamente Washington rejeita a resolução, argumentando que o embargo é uma questão bilateral e não deve ser discutida na ONU. Ainda assim, a aprovação da resolução mantém viva a pressão internacional pelo levantamento das sanções.

Para Cuba, a votação representa uma vitória simbólica, mas com sabor amargo. O país conseguiu aprovar a resolução, mas viu seu apoio encolher de forma preocupante. A fonte não detalhou a reação do governo cubano ao resultado, mas é provável que Havana intensifique sua diplomacia para reverter a tendência de queda nos próximos anos. Enquanto isso, a população cubana segue sofrendo os efeitos de um embargo que já dura quase seis décadas, sem perspectiva de solução no curto prazo.

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