O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação ocorreu nas redes sociais, onde o comitê, ligado aos democratas, fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro. A crítica ganhou repercussão no mesmo dia em que o parlamentar desembarcou em Miami, nos Estados Unidos.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X. A publicação destaca a aparente contradição entre a recusa de proteção a migrantes em situações de violência e a concessão de vistos a figuras políticas brasileiras. O comitê não detalhou quais seriam os critérios específicos adotados pelo Departamento de Estado para o caso.
“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família. A frase remete ao contexto político brasileiro, no qual apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro questionaram o resultado das eleições de 2022. A fonte não detalhou se o comitê apresentou provas adicionais sobre a suposta negação de resultados eleitorais por parte de Flávio.
Parlamentar democrata cobra explicações do governo
Em perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo-se à derrota de Flávio na candidatura ao cargo de presidente da República no último domingo (26). Castro, que representa o Texas na Câmara dos EUA, usou a mesma rede social para detalhar as investigações contra o senador brasileiro. A declaração reforça a posição de setores do Partido Democrata contrários à concessão de vistos à família Bolsonaro.
“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou. A menção à ordem de entrega de passaportes remete a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A fonte não detalhou em que estágio se encontram as investigações citadas por Castro.
Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”. O parlamentar não especificou quais mecanismos legais poderiam ser acionados para exigir tais explicações. A declaração, no entanto, indica que o tema pode ser levado a audiências ou requerimentos no Legislativo estadunidense.
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Chegada a Miami e trajeto da família
Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram nesta quarta-feira (28) a Miami depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e pegarem voo rumo aos Estados Unidos. A aeronave privada chegou a fazer uma parada no Equador. O itinerário sugere uma rota alternativa para evitar a fiscalização direta em aeroportos brasileiros, embora a fonte não tenha detalhado os motivos da escolha.
A saída do Brasil ocorreu após a derrota eleitoral de Flávio no último domingo (26), quando ele disputou a presidência da República. O senador não havia informado publicamente planos de deixar o país antes da viagem. A chegada a Miami foi registrada por veículos de imprensa e confirmada por fontes próximas à família, segundo as informações disponíveis.
Investigações e decisão do STF
Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Ambos negam qualquer irregularidade. A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.
A ordem de entrega dos passaportes é uma medida cautelar comum em investigações que envolvem risco de fuga. No caso de Flávio, a decisão foi proferida antes da viagem, mas não impediu sua saída do território nacional. A fonte não detalhou se houve descumprimento formal da ordem judicial ou se o senador obteve autorização para viajar.
Reações e contexto político
A concessão de visto a Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de endurecimento da política migratória dos Estados Unidos. O governo Trump tem restringido asilo para pessoas de países como Sudão e Haiti, conforme citado pelo comitê democrata. A comparação feita pelos parlamentares sugere que há tratamento desigual entre migrantes em situação de vulnerabilidade e figuras políticas com conexões internacionais.
Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA não se manifestou publicamente sobre o caso. O governo brasileiro também não emitiu nota oficial sobre a viagem do senador. A fonte não detalhou se haverá pedidos formais de esclarecimento por parte de autoridades brasileiras ou estadunidenses.
A presença de Flávio em Miami pode ter implicações para sua atuação política. Em transmissão anterior, Eduardo Bolsonaro sugeriu que o irmão liderasse a oposição brasileira a partir do exterior. A declaração foi feita antes da derrota eleitoral e da subsequente viagem. A fonte não detalhou se Flávio pretende permanecer nos Estados Unidos ou retornar ao Brasil.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Argentina: oposição cobra Milei sobre fuga de Flávio Bolsonaro (tvbrasil.ebc.com.br)
