Israelenses votam em eleição que pode tirar Netanyahu
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Jerusalém — Israelenses foram às urnas nesta terça-feira em uma eleição que pode encerrar os 19 anos de Benjamin Netanyahu no poder. O atual primeiro-ministro, do partido Likud, enfrenta dois adversários de peso: o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett. A disputa ocorre em meio a um cenário de forte polarização e incertezas sobre a formação de uma coalizão governamental.

Além de Netanyahu, que soma 19 anos no poder com o partido Likud, está entre os cotados para assumir o governo o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, ex-general Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), criado em 2025. A outra força política que pode destronar o atual primeiro-ministro é formada por uma coalizão de partidos liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad). O político tem perfil religioso e foi primeiro-ministro de Israel por um ano, de 2021 a 2022.

Oposição compartilha linha dura em segurança

A professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo Karina Stange Calandrin explicou à Agência Brasil que os dois candidatos da oposição têm posição semelhante à de Netanyahu quando se trata de segurança e questão militar. Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Gherman, apesar de os três terem esse perfil linha-dura, Netanyahu se diferencia por representar uma extrema-direita com projeto autoritário para Israel.

“As diferenças fundamentais têm a ver com a posição em relação à democracia representativa. O Netanyahu é a favor de uma reforma que tiraria a autonomia completa do Judiciário e concentraria o poder na mão do Executivo”, disse. Essa divergência pode ser decisiva para eleitores preocupados com o equilíbrio entre os poderes.

Estado palestino perde apoio popular

Os três partidos favoritos a assumir o poder em Tel Aviv rejeitam a criação de um Estado palestino, como determina o direito internacional. “Hoje, na sociedade israelense, o Estado palestino perdeu muito apoio desde o 7 de outubro. Qualquer candidato que tenha a bandeira do Estado palestino não vai ganhar muitos votos”, argumentou Karina Calandrin. A especialista destaca que há diferença entre os candidatos em relação aos assentamentos na Cisjordânia, que vêm crescendo com o apoio de partidos de extrema-direita na coalizão liderada por Netanyahu.

A professora de relações internacionais do Ibmec SP avalia que os adversários de Netanyahu devem frear essa política na Área B da Cisjordânia, o que deve contribuir para reduzir a violência nesses territórios. “Outra mudança pode ser uma propensão maior a negociar com atores internacionais já que Netanyahu tem rejeitado negociar com Catar e Egito. Isso pode mudar”, acrescentou.

Coalizão sem partidos árabes é desafio

A professora Karina Calandrin calcula que tanto o partido do militar Eisenkot quanto o do ex-primeiro-ministro Bennett devem precisar do apoio de legendas árabes para formar maioria. “Todos eles já falaram que não vão fazer aliança com os árabes israelenses. Vai ser muito difícil formar a coalizão sem os árabes. A não ser que eles mudem de ideia e cedam pra tirar Netanyahu do poder. Minha previsão é que não vai ter coalizão”, avalia.

Para o especialista Michel Gherman, uma saída é os partidos árabes apoiarem a oposição para tirar Netanyahu do poder. “Vai ter uma solução política em que os partidos árabes não vão apoiá-los, mas vão votar contra Netanyahu. E aí a formação vai ser uma coalizão de minoria”, disse. Esse cenário, porém, exigiria negociações complexas e flexibilidade das lideranças.

Votação ocorre sob tensão na Cisjordânia

Enquanto ocorre a votação nesta terça-feira, a agência de notícias Wafa, da Cisjordânia, relata casos de ataques de colonos e de forças de segurança de Israel na Palestina ocupada. O professor Michel Gherman, da UFRJ, destacou que, entre os candidatos da oposição, Bennet tem uma posição semelhante à de Netanyahu em relação aos palestinos, até por vir do mesmo partido Likud. Mas Gherman avalia que Eisenkot pode ter uma posição mais moderada.

“Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor”, comentou. Essa distinção pode influenciar a política externa israelense caso a oposição vença.

Contexto de guerras e assentamentos

A operação em Gaza vem sendo apontada por países e especialistas como um genocídio. Ministros do governo Netanyahu têm defendido a emigração dos palestinos da região e a colonização israelense do território. Nos últimos três anos, o país ainda se envolveu em guerras no Líbano, ataques na Síria e uma agressão contra o Irã em parceria com os Estados Unidos (EUA). Na Cisjordânia, a política de assentamentos ilegais ganhou novo impulso nos últimos anos.

Com a apuração em andamento, o futuro político de Israel permanece incerto. A possibilidade de uma coalizão de minoria ou de novas eleições não está descartada, segundo analistas. O resultado deve definir não apenas o comando do governo, mas também os rumos da relação com os palestinos e com a comunidade internacional.

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