Advent planeja investir bilhões no Brasil com novo fundo
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A gestora global Advent, com mais de US$ 109 bilhões em ativos sob gestão, planeja ampliar seus investimentos no Brasil. Em entrevista ao NeoFeed, Juan Pablo Zucchini, managing partner e head de private equity da Advent na América Latina, afirmou que a captação de um novo fundo global dará mais força para investidas maiores na região. Presente no País desde 1997, a gestora vê o mercado brasileiro como estratégico para seus negócios.

Fundo global impulsiona investidas na região

“O novo fundo global da Advent nos ajuda a puxar recursos de lá para investir em negócios aqui na América Latina, especialmente no Brasil”, afirmou Zucchini. “Aumenta muito a capacidade e o poder de investimento na região.” A declaração sinaliza que a gestora pretende direcionar parte significativa do capital captado para oportunidades no mercado brasileiro.

Globalmente, a Advent já vendeu em 2026 participações em 27 empresas, somando cerca de US$ 13 bilhões, e investiu aproximadamente US$ 10 bilhões em 38 companhias, contando operações concluídas e ainda pendentes. Esses números refletem o ritmo intenso de atividade da gestora, que busca reciclar capital para novos investimentos.

Valuations mais realistas abrem espaço

Para Zucchini, o cenário atual favorece quem chega com dinheiro novo. “Acredito que é um mercado que tem pouco acesso a capital, com dívida cara. E, com o pool de investidores reduzindo, naturalmente, é um mercado que começa a ser mais realista para fazer negócios”, disse ele. A percepção é de que os preços dos ativos se ajustaram, criando condições mais atrativas para aquisições.

“Acredito que, nos últimos anos, o mercado foi ficando mais realista em termos de valuation. Hoje se consegue ter conversas razoáveis de valuation”, acrescentou. Essa mudança de ambiente pode facilitar a entrada da Advent em novos negócios, especialmente em setores onde a gestora já tem experiência.

Brasil é estratégico para players globais

O executivo destacou a importância do Brasil para investidores estratégicos internacionais. “O Brasil é o mercado para o qual os estratégicos olham e falam: ‘Eu, como estratégico global, preciso estar no Brasil’”, afirmou. “Então, o nosso portfólio tem um valor estratégico para esses players, o que facilita as conversas de saída.” Isso significa que as empresas investidas pela Advent no País tendem a atrair interesse de compradores globais, aumentando as opções de desinvestimento.

Por outro lado, Zucchini vê o IPO no Brasil apenas como uma opcionalidade de saída, com a qual não dá para contar na hora de entrar num negócio. “Se tem um negócio em que a única saída é o IPO, provavelmente não faríamos”, disse. A gestora prefere estruturar investimentos que tenham múltiplas rotas de saída, reduzindo a dependência do mercado de capitais.

Janelas de IPO cada vez menores

Um dos motivos para essa postura é o encolhimento das janelas de abertura de capital. “Se você olha as janelas dos últimos 5 anos, dos últimos 10 anos, dos últimos 15 anos, essa janela é cada vez menor. Uma coisa é você ter uma janela de IPO de quatro anos, outra coisa é ter uma janela de IPO de um ano”, explicou. A volatilidade do mercado brasileiro torna o IPO uma opção menos previsível.

“A janela de oportunidade do IPO, se você olha os últimos 15 anos, tem sido cada vez menor”, reforçou. Diante disso, a Advent prioriza negócios com fundamentos sólidos e potencial de venda estratégica, em vez de depender de uma abertura de capital.

Investimentos a partir de US$ 400 milhões

Questionado sobre o tamanho mínimo de investimento para envolver o fundo global, Zucchini indicou que negócios acima de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões já começam a ter participação do fundo global. “Olha, em geral, todo negócio que já começa a fazer no patamar de cima de US$ 400 milhões, US$ 500 milhões já começa a ter participação do fundo global”, afirmou. Isso demonstra a capacidade da Advent de realizar transações de grande porte no Brasil.

“Nesses últimos 12 meses, temos investido bastante em consumo e tecnologia no Brasil e na região”, revelou o executivo. Esses setores têm sido foco da gestora, que busca empresas com potencial de crescimento e relevância estratégica.

A Advent segue atenta às oportunidades no mercado brasileiro, combinando capital global com conhecimento local. A expectativa é que o novo fundo amplie ainda mais a presença da gestora no País, com investimentos bilionários em setores-chave da economia.

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