Diego Gallego e Rodrigo Simoes Tavares transformaram uma paixão de infância em um negócio digital. Amigos desde cedo, eles aprenderam a surfar no mesmo lugar, o Arpoador, no Rio de Janeiro, com os mesmos professores. Agora, os dois são sócios na Quiva, um marketplace voltado exclusivamente para surfistas. A plataforma nasceu da percepção de que o comércio de pranchas e acessórios era fragmentado e carecia de organização. A iniciativa busca reunir anúncios de equipamentos em um único ambiente digital, com foco em segurança e métricas.
Da busca no Google à ideia
A origem da Quiva está ligada a uma experiência pessoal de Diego Gallego. Ele conta que estava procurando prancha em plataformas generalistas, como Facebook, Instagram e OfferUp, que descreve como um tipo de OLX americano. Diante da dificuldade, decidiu fazer uma busca específica: “Eu estava vendo prancha no Facebook, no Instagram e OfferUp, que é tipo um OLX americano. Aí eu coloquei no Google: marketplace só para surfista”, relata o cofundador.
O resultado da pesquisa o levou a um aplicativo criado na região em que morava, voltado exclusivamente ao comércio de pranchas. Essa experiência serviu de referência para desenvolver a startup brasileira, adaptada às necessidades do mercado local.
A constatação de que existia uma demanda por um espaço dedicado impulsionou a criação da Quiva. Os sócios identificaram que o mercado de equipamentos de surfe carecia de dados e organização. A partir dessa lacuna, estruturaram uma plataforma que oferece métricas e um ambiente mais controlado para compradores e vendedores. A transição de uma busca pessoal para um projeto empresarial reflete a familiaridade dos fundadores com o universo do surfe.
Organização e métricas no mercado
Antes da Quiva, o comércio de pranchas usadas e acessórios era descrito pelos fundadores como um mercado totalmente bagunçado. Não havia padronização nos anúncios, e as negociações dependiam de canais dispersos. Com a plataforma, a proposta é oferecer dados, métricas e organização do mercado, conforme afirma um dos sócios. A empresa busca estruturar informações sobre preços, modelos e condições dos equipamentos, facilitando a tomada de decisão dos usuários.
Além da organização, a Quiva investe em segurança para evitar golpes. A plataforma monitora denúncias de usuários suspeitos e entra em contato com anúncios fora do escopo do surfe. Os fundadores relatam que já houve um caso em que o comprador foi levado para outra plataforma e sofreu o golpe lá, o que reforçou a decisão de blindar a plataforma. Esse episódio evidencia a importância de manter as transações dentro do ambiente controlado da Quiva, reduzindo riscos para os usuários.
Modelo de receita e parcerias
A Quiva permite que surfistas anunciem e negociem equipamentos sem pagar taxas. Essa gratuidade para usuários comuns é um diferencial para atrair anúncios e movimentar a plataforma. No entanto, a empresa já possui uma fonte de receita: as comissões cobradas de lojas parceiras verificadas. Esses vendedores pagam 10% sobre as vendas realizadas pela plataforma. Em contrapartida, recebem uma estrutura própria de loja, maior exposição no aplicativo e apoio na divulgação dos produtos, incluindo ações nas redes sociais.
O modelo de parceria com lojas verificadas agrega valor tanto para os comerciantes quanto para os consumidores. As lojas ganham visibilidade e suporte, enquanto os compradores têm acesso a produtos de vendedores confiáveis. A comissão de 10% é a principal receita atual da Quiva, mas a empresa planeja ampliar as formas de monetização. Entre as iniciativas previstas estão a chamada Garantia Quiva, com pagamento protegido, planos mensais para lojas e shapers e anúncios em destaque.
Investimento e planos de expansão
Os custos iniciais da empresa são divididos pelos dois sócios, que possuem partes iguais da companhia. Fora esse aporte, a Quiva não recebeu investimento externo até o momento. Apesar disso, a empresa continua aberta a conversar com investidores, especialmente fundos internacionais e interessados em marketplaces. A busca por capital pode acelerar o desenvolvimento de novas funcionalidades e a expansão geográfica.
No exterior, a meta da Quiva é chegar a Portugal, Marrocos, Indonésia e Austrália até o fim de 2027. Esses mercados são conhecidos por suas culturas de surfe e podem representar oportunidades de crescimento. A expansão internacional exigirá adaptações locais, mas a experiência adquirida no Brasil pode servir de base. A empresa ainda não detalhou como será a entrada nesses países, mas o objetivo demonstra ambição de se tornar uma referência global no nicho.
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Fonte
- startups.com.br
- Quiva (quiva.com.br)