Outubro Rosa: obesidade eleva risco de câncer de mama
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O Outubro Rosa, campanha anual de conscientização sobre o câncer de mama, traz à tona um fator de risco muitas vezes subestimado: a obesidade. Especialistas alertam que o excesso de gordura corporal está associado a pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo o de mama. A relação, embora complexa, ganha destaque neste mês dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce.

Gordura corporal e produção hormonal

O tecido adiposo, longe de ser um simples reservatório de energia, participa ativamente da produção de hormônios e de substâncias que podem favorecer processos inflamatórios no organismo. No caso do câncer de mama, a associação é especialmente relevante após a menopausa, quando o tecido adiposo passa a ser uma importante fonte de estrogênio. Esse hormônio, em níveis elevados, pode estimular o crescimento de células cancerígenas na mama. A inflamação crônica de baixo grau, comum em pessoas com obesidade, também contribui para um ambiente propício ao desenvolvimento tumoral.

Além do estrogênio, o tecido adiposo secreta adipocinas, como a leptina, que em excesso pode promover a proliferação celular e a angiogênese — formação de novos vasos sanguíneos que alimentam tumores. Esses mecanismos explicam por que a obesidade é considerada um fator de risco modificável para o câncer de mama, especialmente em mulheres na pós-menopausa. A transição para a menopausa marca uma mudança hormonal significativa, e o controle do peso nessa fase pode ter impacto protetor.

Obesidade não é sentença

Para o Dr. Carlos Schiavon, cirurgião bariátrico e cofundador da ONG Obesidade Brasil, é importante evitar uma interpretação equivocada sobre essa associação. “Ter obesidade não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer, assim como pessoas sem excesso de peso também podem ter a doença. Estamos falando de um fator de risco entre vários outros. Por isso, o tratamento da obesidade deve ser encarado como uma questão de saúde e não apenas estética”, afirma.

A fala reforça a necessidade de abordar o tema com responsabilidade, sem estigmatizar quem convive com a obesidade.

O Dr. Schiavon destaca que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por genética, ambiente, hábitos e fatores emocionais. Reduzi-la a uma questão de força de vontade ignora a complexidade da condição e pode afastar pacientes de buscar ajuda médica. O tratamento adequado, que pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em casos específicos, cirurgia bariátrica, deve ser individualizado e acompanhado por equipe multidisciplinar.

Prevenção vai além da balança

Além do controle do peso, os especialistas reforçam que a prevenção do câncer de mama envolve diferentes medidas, como a prática regular de atividade física, alimentação adequada, moderação no consumo de bebidas alcoólicas e acompanhamento médico. O rastreamento também é fundamental para identificar alterações precocemente, de acordo com as recomendações para cada faixa etária e perfil de risco. A combinação de hábitos saudáveis e exames periódicos aumenta as chances de detecção precoce e tratamento eficaz.

A atividade física, por exemplo, ajuda a regular hormônios, reduzir inflamação e fortalecer o sistema imunológico. Uma alimentação rica em frutas, vegetais, grãos integrais e pobre em ultraprocessados fornece nutrientes que protegem as células. Já o consumo excessivo de álcool está associado ao aumento do risco de câncer de mama, mesmo em quantidades moderadas. O acompanhamento médico regular permite avaliar o risco individual e definir a periodicidade de exames como a mamografia.

Outubro Rosa sem culpabilização

“Falar sobre obesidade durante o Outubro Rosa é uma oportunidade de ampliar a discussão sobre prevenção sem culpabilizar a mulher. A obesidade é uma doença crônica e multifatorial e seu tratamento pode contribuir para a redução de diversos riscos à saúde. O mais importante é que cada pessoa tenha acesso a acompanhamento adequado e individualizado”, conclui Dra. Andrea. A mensagem reforça que a campanha deve acolher, informar e incentivar o autocuidado, sem julgamentos.

A ONG Obesidade Brasil, fundada em fevereiro de 2020 para conscientizar pessoas de que a obesidade é uma doença multifatorial e crônica, conta com um Conselho Científico composto por especialistas colaboradores de todo o território brasileiro, de perfil multidisciplinar, que adota o conceito de saúde universal e trabalha para que todos tenham acesso à ajuda médica especializada. A entidade atua na disseminação de informação de qualidade e no combate ao estigma, alinhando-se aos princípios do Outubro Rosa de promoção da saúde integral da mulher.

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