Adriana Araújo rebate influenciadora e defende feminismo
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A jornalista Adriana Araújo, apresentadora da Band, tornou-se uma das vozes mais contundentes na defesa dos direitos das mulheres após comentar, na segunda-feira, as declarações da influenciadora Eduarda Campopiano. Em um vídeo que já soma 260 mil curtidas e 37,5 mil respostas no Instagram, Adriana respondeu com serenidade e delicadeza ao que classificou como ‘disparates’ ditos pela jovem.

“A Eduarda fala esses disparates sem sentir nenhuma dor. Mas eu gostaria que ela pudesse ter tempo de aprender, de preferência sem sentir dor, que as palavras que ela fala, que ela repete, são palavras que provocam profunda dor em muitas mulheres”, afirmou a jornalista.

Voz contra o retrocesso

Adriana Araújo também se insurgiu contra as chamadas “influenciadoras do retrocesso”. Em uma de suas manifestações mais recentes, ela criticou mulheres que, “do alto dos seus privilégios, começam a gravar vídeos e espalhar a teoria de que mulher não deveria votar. Para que votar, né? Deixe os homens falarem por nós”.

A apresentadora conta que já vem acompanhando essas manifestações há algum tempo. Como a ideia é não “dar palco para maluco”, nunca havia se pronunciado. Agora, porém, decidiu quebrar o silêncio diante do que considera um grave erro de interpretação histórica.

“Em pleno 2026, mulheres bradando aos quatro ventos da internet que não devem nada ao feminismo é assustador — no mínimo, um grave erro de interpretação histórica. É usar os direitos conquistados a duras penas para negar a importância das lutas que os tornaram possíveis”, declarou.

Vídeo: YouTube | Fonte: neofeed.com.br

Espaço para opinião na Band

Na Band, Adriana teve pela primeira vez espaço para expressar publicamente suas opiniões contra a violência de gênero — sendo inclusive porta-voz da campanha “A Band Não Se Cala”, lançada pelo grupo em julho passado. A jornalista utiliza esse espaço para amplificar pautas feministas e cobrar responsabilidade coletiva.

Ela se dirige a “cada pai e a cada avô”. “Quando você abraçar as meninas que são os amores de sua vida, ensine a elas que elas têm o direito de crescer com liberdade, com segurança e com a vida sempre protegida”, afirma.

Adriana alerta que uma das estratégias para desqualificar as pautas feministas é apresentar a defesa das mulheres como um ataque aos homens, quando deveria ser um compromisso de todos. “A responsabilidade, a ética e o respeito não têm lado”, completa.

Divergências e diálogo

Outra forma de desacreditar o movimento, segundo a jornalista, é explorar temas controversos, como a descriminalização do aborto, para levar quem se opõe à medida a rejeitar também as demais reivindicações. A defesa da igualdade e da proteção, porém, não exige concordância em todos os assuntos.

“Divergências são possíveis de resolver pelo diálogo”, diz ao NeoFeed a jornalista. Adriana é pessoalmente contrária ao aborto e afirma que jamais faria um, mas defende o direito de interromper uma gestação que, por exemplo, coloque a vida da mulher em risco.

Essas discussões, entretanto, exigem seriedade e equilíbrio — condições que, para ela, se perdem na “baixaria eleitoral”, entre gritos, rótulos e ataques para conquistar votos.

Dor que não se esquece

Enquanto isso, crianças perdem suas mães e mães enterram suas filhas, diz. A cada seis horas, uma mulher é morta no Brasil por uma razão: ser mulher. Quando Adriana noticia ou comenta casos de violência, vem-lhe sempre à mente a dor de mães enlutadas.

“Muitos gritos nem são ouvidos, mas os que eu ouço, eu não esqueço”, conta. Na segunda-feira, entrou no estúdio para comentar as falas de Eduarda Campopiano pensando em Janaína Benette Rodrigues.

Em dezembro de 2025, sua filha Júlia, de 22 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido, no Rio de Janeiro. Na saída do cemitério, a mãe gritou “justiça” 18 vezes. “Se fosse com a minha filha, eu gritaria igual”, diz a jornalista.

Silêncio que incomoda

Um silêncio, porém, a incomoda. “Todas as mulheres eleitas nesse país deveriam ter se pronunciado [contra as falas de Eduarda Campopiano]”, avalia Adriana. Silenciar diante do ódio equivale a compactuar com a barbárie: “Não dá para ficar calado”.

“A chegada de mais mulheres tem de ser celebrada”, afirma a jornalista. “As mulheres têm direito a ocupar a metade dos cargos públicos de comando desse país.”

Adriana Araújo segue usando sua plataforma para transformar indignação em debate público, lembrando que a luta por igualdade é responsabilidade de toda a sociedade.

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