Batata-doce une Amazônia e Japão em livro
Da Amazônia ao Japão, a batata-doce atravessou culturas e desempenhou papel importante na alimentação de populações, inclusive em períodos marcados por conflitos e eventos climáticos extremos. Essa trajetória é contada no livro “Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido”, publicado pela Editora Inpa.
A obra é resultado da participação das autoras no projeto “Diálogos científicos multiculturais sobre a sociobiodiversidade na Amazônia com potencial bioeconômico”, financiado pelo CNPq, chamada PPBio 2023. O lançamento integra a série Amazônia Chibata, que busca evidenciar a Amazônia como um território biocultural singular, a partir de perspectivas científicas e ancestrais.
Editada em quatro línguas – Português, Baniwa, Japonês e Inglês, a obra aborda a história do alimento popular em todo o mundo misturando memórias afetivas, ciência e saberes tradicionais. A publicação em múltiplos idiomas reflete o objetivo de popularizar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica dentro e fora da Amazônia. Segundo Noemia Ishikawa, uma das criadoras da série, “Temos como objetivo popularizar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica dentro e fora da Amazônia, por isso [o livro] foi publicado em quatro línguas”.
A escolha do Baniwa, língua indígena do Alto Rio Negro, destaca a valorização dos saberes locais e a conexão entre as narrativas tradicionais e acadêmicas.
O compartilhamento de memórias e experiências tendo a batata-doce como ponto de partida trouxe novas formas de ver e viver a Amazônia para Kyoko, uma das autoras. “Sinto como se tivesse encontrado uma segunda terra natal. É uma sensação muito especial.”, declara. Essa fala ilustra o potencial do alimento como elo entre culturas distintas, unindo a região amazônica ao arquipélago japonês por meio de histórias de resistência e adaptação.
Série Amazônia Chibata promove diálogo biocultural
A série Amazônia Chibata foi criada em 2024, pelas pesquisadoras do Inpa, Noemia Kazue Ishikawa, Ana Carla Bruno e Tiara Sousa Cabral e pelas egressas da PPG Agricultura no Trópico Úmido e PPG-Botânica, Ruby Vargas-Isla e Laura C.C. Leite. O primeiro volume da série fala sobre o Ariá, outra raiz amazônica de importância alimentar e cultural. Segundo Noemia Ishikawa, a série foi criada para promover o diálogo entre as narrativas dos povos tradicionais e as narrativas acadêmicas, buscando uma abordagem integradora do conhecimento.
O segundo volume, dedicado à batata-doce, conta com prefácio de Eli Minev-Benzecry, primeiro autor do volume 1, posfácio do cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja e da atriz e apresentadora Regina Casé, além de trazer uma apreciação do arqueólogo Eduardo Góes Neves. A presença de personalidades de diferentes áreas reforça o caráter interdisciplinar da obra, que transita entre a ciência, a arte e a memória social.
A série Amazônia Chibata, cujo nome remete a um tipo de cestaria indígena, simboliza o entrelaçamento de saberes. O projeto editorial busca não apenas documentar, mas também celebrar a riqueza biocultural da região, oferecendo ao leitor uma visão multifacetada da Amazônia. A publicação em quatro idiomas amplia o alcance dessas histórias, permitindo que públicos de diferentes origens linguísticas acessem o conteúdo.
Conteúdo do livro e acesso à obra
O livro “Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido” apresenta uma narrativa que percorre a trajetória do tubérculo desde suas origens até sua disseminação global. A obra destaca como a batata-doce serviu como alimento essencial em momentos de escassez, incluindo períodos de guerra e desastres naturais, conforme mencionado nas claims. A abordagem combina relatos pessoais, dados científicos e conhecimentos tradicionais, criando um panorama abrangente do papel do alimento na história humana.
O exemplar físico da obra é comercializado pela Livraria Inpa, localizada na Editora Inpa, prédio 97, Campus I. No formato digital, o livro pode ser acessado gratuitamente via repositório do Inpa, democratizando o acesso ao conhecimento. Essa dualidade de formatos atende tanto a colecionadores quanto a leitores interessados em explorar o conteúdo sem custos, ampliando o impacto da publicação.
A gratuidade da versão digital alinha-se com a missão do Inpa de divulgar a ciência e a cultura amazônica para um público amplo. A disponibilização em repositório institucional garante a preservação e a difusão contínua da obra, permitindo que pesquisadores, educadores e curiosos de qualquer parte do mundo possam consultá-la. A fonte não detalhou o número de páginas ou a tiragem da edição impressa.
Impacto cultural e científico da publicação
A publicação do livro representa um marco na divulgação científica intercultural, unindo a expertise do Inpa com a sabedoria de comunidades tradicionais. A inclusão do idioma Baniwa, por exemplo, é um reconhecimento da importância das línguas indígenas na preservação do conhecimento ecológico. A obra também contribui para a visibilidade da batata-doce como um recurso estratégico para a segurança alimentar e a bioeconomia, temas de crescente relevância global.
A série Amazônia Chibata, com seus volumes dedicados a diferentes espécies, consolida-se como uma iniciativa inovadora de popularização da ciência. Ao adotar uma abordagem que valoriza tanto o rigor acadêmico quanto as narrativas orais, a série promove uma compreensão mais holística da Amazônia. O envolvimento de figuras públicas como Regina Casé e Estêvão Ciavatta Pantoja no posfácio amplia o alcance midiático e social do projeto.
O financiamento do CNPq, por meio da chamada PPBio 2023, demonstra o reconhecimento institucional da importância de pesquisas que integram biodiversidade e cultura. A continuidade da série, com o primeiro volume sobre o Ariá e o segundo sobre a batata-doce, sugere um compromisso de longo prazo com a documentação da sociobiodiversidade amazônica. A fonte não detalhou os próximos volumes planejados.
Relevância para a segurança alimentar e bioeconomia
A batata-doce, tema central do livro, é reconhecida por sua resiliência e valor nutricional, características que a tornam um cultivo estratégico em contextos de mudanças climáticas. A obra destaca como o tubérculo foi utilizado em diferentes culturas para enfrentar crises alimentares, reforçando sua importância como recurso de soberania alimentar. A conexão entre a Amazônia e o Japão, evidenciada no título, ilustra a circulação global de espécies e saberes associados.
O projeto “Diálogos científicos multiculturais sobre a sociobiodiversidade na Amazônia com potencial bioeconômico” insere-se em um contexto de busca por alternativas sustentáveis de desenvolvimento. A batata-doce, assim como o Ariá, representa um exemplo de produto da sociobiodiversidade com potencial para gerar renda e conservar ecossistemas. A publicação contribui para dar visibilidade a essas possibilidades, conectando pesquisa, tradição e mercado.
A obra também serve como ferramenta educativa, podendo ser utilizada em escolas e comunidades para ensinar sobre a história da alimentação e a diversidade cultural. A linguagem acessível e a mistura de gêneros textuais tornam o livro atrativo para diferentes públicos. A fonte não detalhou se há planos de tradução para outros idiomas além dos quatro já publicados.
Fonte
- i9brasil.com.br
- repositório do Inpa. (ri.inpa.gov.br)
