Embraer Defesa cresce com corrida armamentista global
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O mundo vive o maior ciclo de gastos militares desde o fim da Guerra Fria. A Embraer que o diga: as entregas de aviões militares ganharam força nos últimos anos, enquanto a fabricante brasileira amplia seu rol de clientes no exterior. No terceiro trimestre, a companhia entregou três aeronaves militares, elevando o total do ano para oito unidades — uma alta de 60% em relação ao mesmo período do ano passado.

Entregas em alta e carteira bilionária

No terceiro trimestre, a Embraer entregou um cargueiro KC-390 e dois caças leves Super Tucano. Com isso, são oito aviões de defesa entregues no acumulado do ano. Enquanto isso, a carteira de novos pedidos também cresce: a divisão de Defesa e Segurança chegou ao segundo trimestre com US$ 6,1 bilhões em encomendas, dado mais recente disponível. É uma alta de 42% em um ano. Esse desempenho reflete a demanda aquecida por equipamentos militares em várias regiões.

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KC-390 conquista 14 países

A frente mais importante deste crescimento é o KC-390, cargueiro militar que entrou em operação em 2019 e que, hoje, já foi adotado por 14 países. Trata-se de um avião de transporte militar, usado para levar tropas, veículos, equipamentos e cargas — ele suporta até 26 toneladas. O avião nasceu de uma encomenda da Força Aérea Brasileira, mas ganhou mercado principalmente na Europa nos últimos anos, com pedidos de Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Eslováquia e Lituânia. A expansão europeia consolidou o modelo como alternativa competitiva no segmento.

Disputa bilionária na Índia

A Embraer tenta agora abrir um mercado ainda maior, na Índia. A Força Aérea indiana avalia a compra de 60 a 80 aviões de transporte militar, e o KC-390 está entre os modelos que disputam o contrato. Nesta semana, a Embraer e a Mahindra, parceira indiana no projeto, escolheram a cidade de Nagpur para instalar uma linha de montagem do KC-390 caso vençam a disputa. A produção local é parte da estratégia para conquistar o contrato, que também é disputado por Lockheed Martin e Airbus.

O desfecho dessa concorrência pode redefinir a presença da companhia na Ásia.

Super Tucano renova encomendas

Outra frente desse crescimento é o A-29 Super Tucano, avião de ataque leve, turboélice, usado para treinamento de pilotos (pois é muito mais barato que um caça a jato). Também para reconhecimento e vigilância de fronteiras, já que ele voa baixo e devagar — bom para buscar visualmente e atacar pistas clandestinas do tráfico, por exemplo. O modelo está em operação desde os anos 2000. Depois de alguns anos de vendas mais fracas, o Super Tucano ganhou uma nova rodada de encomendas a partir de 2024.

Versão Otan abre portas na Europa

Um ano antes, a Embraer havia lançado o A-29N, versão adaptada aos requisitos da Otan e desenvolvida de olho no mercado europeu. Desde então, Portugal encomendou 12 unidades. A adaptação às normas da aliança militar amplia o potencial de vendas para outros países do bloco. A estratégia reforça a aposta da empresa em mercados de alta exigência técnica.

Gastos militares batem recorde

Os gastos militares globais chegaram ao recorde de US$ 2,9 trilhões em 2025, após mais de uma década de altas consecutivas. Na Europa, a guerra na Ucrânia intensificou o movimento: só no ano passado, os países da União Europeia desembolsaram € 418 bilhões com defesa, 20% a mais que no ano anterior. Para este ano, a Alemanha sozinha prevê gastar mais de € 100 bilhões com defesa. A corrida armamentista deu munição a grandes contratos.

A americana Lockheed Martin, maior fabricante de armas do mundo, entregou 191 caças F-35 em 2025, um recorde.

Frotas antigas impulsionam demanda

Além do aumento dos gastos militares, a Embraer tem em vista um outro movimento: o envelhecimento das frotas antigas. A empresa estima que as forças aéreas vão precisar de 450 novos aviões de transporte militar nos próximos 20 anos, um mercado de aproximadamente US$ 60 bilhões. Boa parte dessa demanda vem do envelhecimento do turboélice C-130 Hercules, da Lockheed Martin, que domina esse mercado há décadas. Segundo a Embraer, mais de 230 unidades em operação têm mais de 45 anos e precisam ser substituídas.

Esse cenário abre espaço para o KC-390 e outros modelos modernos.

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