Próxima caneta emagrecedora do varejo farmacêutico
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Os medicamentos à base de GLP-1, voltados para obesidade e diabetes, se tornaram um sucesso no varejo farmacêutico, levando o BTG Pactual a investigar quais categorias podem ser as próximas “canetas emagrecedoras” do setor. Voltados ao tratamento da obesidade e da diabetes, os medicamentos à base de GLP-1 se tornaram uma febre entre os consumidores nos últimos anos – e um blockbuster de vendas para a indústria farmacêutica e as farmácias.

É a partir desse fenômeno que um novo relatório enviado a clientes pelo BTG Pactual faz uma análise mais ampla tentando responder a uma pergunta: quais categorias de medicamentos podem ser as próximas “canetas emagrecedoras” e liderar uma nova onda de crescimento do varejo do setor?

O que torna os GLP-1 excepcionais

Com essa premissa, o banco observa que o que transformou os tratamentos baseados em GLP-1 excepcionalmente poderosos não foi apenas o fato deles terem se tornado medicamentos de grande sucesso. “Eles combinaram uma população-alvo muito ampla, tratamento crônico, preços unitários elevados, rápida expansão de indicações e distribuição através do canal de varejo farmacêutico”, escrevem os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

No entanto, o banco alerta que muitos futuros blockbusters farmacêuticos serão administrados por infusão em hospitais ou em clínicas especializadas e, portanto, nunca gerarão o aumento nas vendas do varejo que os GLP-1 proporcionaram.

Obesidade 2.0 lidera a lista

Para começar a responder a essa questão, o trio recorre a dados da IQVIA. Segundo a consultoria, áreas como diabetes e obesidade, imunologia e oncologia seguirão sendo as maiores fontes de crescimento dos gastos farmacêuticos globais até 2030.

Sob essa ótica, o BTG elegeu as categorias que merecem maior atenção. E quem dá a partida nessa lista é o que o banco chama de “Obesidade 2.0”, com a próxima onda impulsionada por medicamentos orais, terapias combinadas, maior eficácia e intervalos de dosagem mais longos.

Na visão dos analistas, a terapia oral pode ser particularmente relevante para as farmácias. Eles citam, por exemplo, que a versão oral do Wegovy, da Novo Nordisk, já responde por cerca de um terço das prescrições para obesidade nos EUA e gerou US$ 843 milhões no primeiro semestre de 2026.

“A implicação é relevante: em vez de o crescimento dos GLP-1 simplesmente perder força, à medida que os preços da semaglutida caem, o mercado endereçável pode se expandir graças a preços mais baixos, comprimidos e indicações adicionais”, diz um dos trechos do relatório.

Medicina cardiovascular ganha fôlego

À parte desse favoritismo, o BTG entende que a medicina cardiovascular é uma das candidatas com mais fôlego nessa corrida para se consolidar como uma nova opção para o varejo farmacêutico similar ao boom do GLP-1. O banco chama a atenção para o volume substancial de pacientes nessa área, embora o segmento seja historicamente dominado por remédios genéricos de baixo custo.

Entretanto, os analistas afirmam que duas inovações em desenvolvimento de medicamentos orais estão mudando esse cenário. A primeira é o Lipfendra, da Merck, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em julho deste ano. E, a segunda, o Baxfendy, da AstraZeneca, que recebeu o aval da agência federal dos EUA em maio.

Os analistas frisam que não há garantia de que eles alcançarão o patamar do GLP-1. “Mas mesmo uma penetração modesta em populações que somam centenas de milhões de pessoas poderia criar categorias bilionárias”, escrevem eles, ressaltando que cerca de 1,4 bilhão de pessoas sofrem de hipertensão em todo o mundo.

Imunologia e respiratórias em expansão

Outra categoria em destaque é a de imunologia e doenças respiratórias, com uma expansão contínua de indicações que podem transformar um medicamento especializado em uma franquia de tratamento de doenças crônicas voltada para o mercado de massa. Entre eles, o Exdensur, da GSK.

Aprovado nos EUA no fim de 2025, o medicamento é voltado ao tratamento da asma grave. A GSK estima que cerca de 2 milhões de americanos sofrem com a doença, sendo que metade deles segue apresentando complicações ou hospitalizações frequentes.

“Em uma perspectiva mais ampla, a escala atual demonstra o potencial de crescimento dessa categoria: a GSK gerou £ 3,8 bilhões com medicamentos para doenças respiratórias, imunologia e inflamação em 2025”, diz o BTG.

Para o banco, essa oportunidade é menos direta para o varejo comparada ao GLP-1, já que esses medicamentos são distribuídos tradicionalmente por canais especializados. Entretanto, o uso de autoinjetores e as dosagens menos frequentes têm viabilizado cada vez mais o tratamento domiciliar.

“Consequentemente, grandes redes brasileiras — dotadas de logística sofisticada de cadeia de frio, programas digitais de adesão ao tratamento e serviços clínicos — poderiam conquistar uma fatia maior desse mercado ao longo do tempo”, afirmam os analistas.

Outras categorias promissoras

Outras categorias promissoras incluem imunologia, Alzheimer e oncologia, embora muitas não passem pelo varejo tradicional. O BTG sugere que o sucesso dos GLP-1 é difícil de replicar, mas o setor deve migrar para terapias de maior valor agregado, com foco em medicamentos orais e vacinas como oportunidades para farmácias.

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