O diretor de inovação e new ventures do Wellhub, Marcos Gurgel, concedeu entrevista à série “5 Minutos com” para falar sobre a transformação do antigo Gympass, o papel da inteligência artificial no negócio, os planos de M&A e os desafios de construir uma estratégia de inovação em escala global. A conversa abordou desde a lógica de experimentação que guia a área até as projeções para o mercado de bem-estar corporativo.
Da economia real à fábrica de jet skis
Gurgel descreve sua trajetória profissional como uma combinação de três experiências fundamentais. A primeira, ligada à economia real, trouxe a disciplina de execução. A segunda, no universo de venture capital, agregou a visão de gestão de portfólio. A terceira veio do iFood, sua primeira experiência trabalhando em um unicórnio, de onde trouxe a bagagem do que chamam de “modelo de jet skis” — ambidestria, experimentação e testes rápidos.
Segundo o executivo, o Wellhub reúne essas três coisas em escala global: a execução da economia real, a gestão de portfólio de um VC e a experimentação de uma fábrica de jet skis, só que aplicadas globalmente. Essa combinação permite que a empresa teste hipóteses com agilidade, mantendo o foco em resultados concretos.
Prioridade lastreada em escala global
A estratégia de inovação do Wellhub, conforme Gurgel, está sempre lastreada em escala. A prioridade é testar no Brasil, eventualmente nos Estados Unidos, mas com o objetivo de ganhar escala global. Nos próximos anos, o foco é criar soluções nas adjacências do core business da companhia.
O executivo destaca que a expansão não se limita a novos mercados, mas também a novas ofertas que complementem o portfólio atual. A abordagem reflete a busca por crescimento sustentável, sem abrir mão da experimentação característica da área.
IA como camada de apoio ao usuário
No campo da inteligência artificial, Gurgel explica que a ferramenta não substitui os profissionais da área. Ela funciona como uma camada de apoio para o usuário navegar melhor pelo ecossistema e se engajar por mais tempo, evitando aquele padrão clássico de abandonar a dieta ou a academia depois de três semanas.
A aplicação de IA, portanto, visa aumentar a retenção e a adesão aos programas de bem-estar, sem eliminar o papel humano. O foco está em personalizar a experiência e oferecer suporte contínuo, especialmente nos momentos críticos de desistência.
Quatro movimentos no bem-estar corporativo
Para o bem-estar corporativo, Gurgel se mostra otimista. Os próximos quatro anos apontam para um crescimento de 4% a 8% ao ano, dependendo da fonte, em um mercado que está em expansão globalmente. Ele identifica quatro movimentos principais que devem moldar o setor.
O primeiro é que o problema deixa de ser tratado como algo restrito à base da pirâmide. Hoje, do meio para o topo — entre os gestores — é onde mais se encontram estresse, raiva, tristeza e solidão, problemas que depois se desdobram em questões de nutrição e falta de exercício. O segundo é que o bem-estar corporativo deixa de ser “coisa de empresa grande” e passa a ser relevante para todo mundo. Hoje, é raro encontrar uma startup que não nasça já pensando nisso para os funcionários.
O terceiro movimento é a expansão do centro financeiro para o chão de fábrica. O tema, historicamente discutido nos escritórios da Faria Lima, está cada vez mais presente também em fábricas e frigoríficos. O quarto, ligado à IA, é o fim do programa padronizado único para toda a empresa. Programas customizados por área, interesse ou resultado desejado têm adesão muito mais alta do que soluções genéricas impostas a todos.
Hipótese comprovada: variar academias aumenta frequência
Gurgel também compartilha uma hipótese que, de certa forma, já conseguiu comprovar: usuários que variam entre duas, três ou mais academias diferentes têm uma frequência de idas maior do que quem sempre treina no mesmo lugar. Ele chama a experiência de “teste de hipótese”: a ideia de que variar as academias frequentadas pode aumentar a frequência e a consistência dos treinos — uma lógica de experimentação que também faz parte do trabalho à frente da área de inovação do Wellhub.
Essa descoberta reforça a importância da flexibilidade e da variedade na oferta de serviços de bem-estar. A possibilidade de escolher entre diferentes locais e modalidades parece contribuir para a manutenção do hábito de exercitar-se.
Vida pessoal e esportes radicais
Fora do ambiente corporativo, o executivo revela uma paixão por esportes radicais. “Também gosto muito de esportes radicais — pego onda, faço kitesurf e ando de skate. São atividades fora da academia que servem tanto para descontrair o corpo quanto a cabeça”, afirma. A declaração conecta sua vida pessoal à filosofia de bem-estar que defende profissionalmente.
A entrevista completa está disponível na série “5 Minutos com”, que traz conversas com líderes de inovação e tecnologia. O post 5 Minutos com: Marcos Gurgel, diretor de inovação e new ventures do Wellhub apareceu primeiro em Startups.
Fonte
- startups.com.br
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