Carro usado barato some do mercado nos EUA
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O engenheiro de processos Benjamin Young, de 48 anos, vive perto de Jacksonville, na Flórida, e recentemente fechou um acordo em uma loja de carros usados que ilustra a severidade da crise de poder de compra nos Estados Unidos. Ele pagou US$ 30 mil, cerca de R$ 154 mil, por um Toyota 4Runner equipado com os itens que desejava, mas o SUV já rodou aproximadamente 145 mil quilômetros e tem 12 anos. Em 2023, Young comprou um Toyota Venza com quilometragem semelhante pela metade desse preço.

“Definitivamente estou levando menos pelo meu dinheiro”, afirmou Young. A experiência do morador da Flórida não é isolada, mas parte de um cenário mais amplo que afeta consumidores em todo o país.

Juros altos encarecem crédito automotivo

Nesta semana, o Federal Reserve elevou os juros, e investidores apostam em novas altas para conter a inflação. Isso tornará o crédito ainda mais caro para americanos que já enfrentam uma mudança estrutural no mercado automotivo. A decisão do banco central americano pressiona diretamente o financiamento de veículos, reduzindo o poder de compra da população.

Com taxas mais altas, os consumidores encontram menos espaço no orçamento para adquirir carros, especialmente os usados, que historicamente representavam uma alternativa acessível. A tendência é de que a situação se agrave nos próximos meses.

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Montadoras priorizam lucros e vendas diretas

Depois de anos com as ações praticamente paradas, General Motors e Ford Motor voltaram a atrair a atenção dos investidores, em parte graças à força dos lucros sustentados por preços mais altos. As duas elevaram suas projeções de resultado neste ano. Esse movimento reflete uma estratégia deliberada de priorizar margens em detrimento do volume.

De acordo com Drury, as montadoras deixaram de oferecer contratos de leasing com juros baixos como faziam no passado porque os incentivos se tornaram caros demais no atual ambiente de juros. Por isso, preferem vender os veículos. A consequência é uma redução na oferta de carros usados provenientes de devoluções de leasing, que antes abasteciam o mercado com modelos seminovos a preços competitivos.

Estoque de usados baratos encolhe drasticamente

Carros usados vendidos por menos de US$ 20 mil, cerca de R$ 103 mil, estão mais difíceis de encontrar e têm quilometragem elevada. As concessionárias precisam disputar esses veículos, segundo Rhett Ricart, proprietário de várias lojas em Columbus, Ohio. A escassez é tamanha que os revendedores enfrentam uma verdadeira batalha para adquirir unidades que possam ser revendidas com margem.

“Eles são como ouro”, afirmou Ricart. “Estão por aí, mas precisamos pagar preços recordes para consegui-los.” A declaração evidencia a valorização atípica de automóveis com muitos anos de uso e alta quilometragem, algo impensável em um mercado tradicional.

Compradores enfrentam menos opções e preços altos

A competição pelos compradores também é intensa. Hyken, terapeuta familiar infantil de 58 anos, relatou sua experiência recente ao procurar um veículo. “É um mercado com menos opções do que no passado”, afirmou. “Estou pagando mais, e encontrar o carro que quero ficou mais difícil.”

“É assim que o mundo funciona agora”, afirmou. A frase resume o sentimento de resignação de muitos consumidores que precisam se adaptar a uma realidade em que o carro usado barato deixou de ser uma alternativa viável para grande parte da população.

Giro de veículos desacelera no varejo

“Simplesmente não temos mais esse giro”, afirmou Swonk. A economista se referia à rotação de estoques nas concessionárias, que caiu significativamente com a redução da oferta e o encarecimento do crédito. Sem leasing barato e com menos carros de entrada, o ciclo de compra e venda de usados ficou mais lento.

Esse fenômeno pressiona ainda mais os preços, pois a demanda continua existindo, mas a oferta de veículos acessíveis é limitada. O resultado é um mercado em que o consumidor de menor renda é o mais prejudicado.

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