Ibovespa fecha em queda com exterior e eleições
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O Ibovespa encerrou as negociações desta sexta-feira (18) em queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos, refletindo o mau humor dos mercados internacionais e a cautela dos investidores com o cenário eleitoral doméstico. O dólar à vista, por sua vez, avançou 0,10%, cotado a R$ 5,1442. No acumulado da semana, o principal índice da bolsa brasileira recuou 1,06%, enquanto a moeda americana registrou alta de 0,37%.

O pregão foi marcado por maior volatilidade devido ao vencimento de opções sobre o índice e a sinais de saída de fluxo estrangeiro. A perspectiva de que os juros nos Estados Unidos permaneçam elevados por mais tempo influenciou o comportamento dos ativos de risco. Além disso, a corrida presidencial brasileira seguiu no radar, com o mercado à espera de novas pesquisas de intenção de votos que capturem o possível impacto do reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado pelo governo na véspera.

Exterior pressiona bolsa e dólar

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única, com os rendimentos do título do Tesouro americano de 10 anos voltando a 5% e o aumento das apostas em novas elevações de juros pelo Federal Reserve. O Dow Jones recuou 0,18%, aos 51.682,64 pontos, registrando a pior semana desde março. O cenário de juros mais altos nos EUA tende a fortalecer o dólar globalmente e a reduzir o apetite por ativos de risco, como ações de mercados emergentes.

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,11%, aos 635,45 pontos, acompanhando o sentimento negativo. Já na Ásia, os mercados fecharam no azul: o Nikkei, do Japão, subiu 1,38%, aos 65.018,95 pontos, e o Hang Seng, de Hong Kong, teve ganho de 0,60%, aos 24.750,78 pontos. A fonte não detalhou os motivos específicos para o desempenho asiático.

“O mesmo movimento de juros mais altos no exterior, que sustentou o dólar, pesou sobre a bolsa local, e a leitura ainda em aberto sobre a trajetória fiscal doméstica limita o apetite por risco”, disse Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad. A declaração resume o ambiente de incerteza que dominou o pregão.

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Minerva lidera ganhos do Ibovespa

Na ponta positiva do Ibovespa, as ações da Minerva (BEEF3) subiram 4,46%, cotadas a R$ 3,98, zerando as perdas acumuladas no mês. O movimento pode estar relacionado a fatores específicos da companhia, mas a fonte não detalhou as razões para a alta. O desempenho destoou do viés negativo predominante no mercado.

Entre as blue chips, o tom foi negativo. As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) acompanharam a continuidade da queda do petróleo, que voltou ao nível abaixo de US$ 100 por barril. PETR3 recuou 1,09%, a R$ 53,41, e PETR4 teve queda de 0,23%, a R$ 48,50. A Vale (VALE3), que detém 11% de participação no índice, destoou do desempenho do minério de ferro e perdeu 1,53%, a R$ 73,37.

No setor de bancos, o Índice Financeiro (IFNC) caiu 0,03%, praticamente estável. Vale, Petrobras e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa, o que explica a pressão sobre o índice como um todo. A combinação de queda nas commodities e estabilidade nos bancos limitou qualquer tentativa de recuperação.

Eleições e fiscal no foco local

No cenário doméstico, a corrida presidencial continuou no radar dos investidores. O mercado aguardava novas pesquisas de intenção de votos que pudessem capturar o impacto do reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado pelo governo na véspera. A medida tem potencial para alterar o quadro eleitoral, e os agentes financeiros monitoram de perto qualquer sinal de mudança nas preferências do eleitorado.

Além disso, a trajetória fiscal do país permanece como ponto de atenção. A leitura ainda em aberto sobre a sustentabilidade das contas públicas limita o apetite por risco, conforme destacou o analista da Nomad. Sem definições claras sobre o arcabouço fiscal, os investidores tendem a adotar postura mais defensiva, o que contribui para a saída de fluxo estrangeiro da bolsa brasileira.

A combinação de incertezas externas e internas resultou em um pregão de baixa para o Ibovespa, com o dólar em leve alta. A volatilidade deve persistir nos próximos dias, à medida que novas pesquisas eleitorais forem divulgadas e os dados econômicos dos EUA continuarem a influenciar as expectativas de juros.

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