O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que o governo já prepara um novo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 4, para definir novas obras de infraestrutura para investimento federal no país. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Tupi do Rio de Janeiro, onde o mandatário também abordou a destinação de recursos do petróleo para a educação e comentou o debate sobre a escala de trabalho 6×1.
Durante a conversa, Lula destacou a importância de planejar o futuro econômico e social do Brasil a partir de investimentos em infraestrutura e em capital humano. O anúncio do PAC 4 sinaliza a continuidade de uma política de obras públicas que marcou gestões anteriores do petista, agora com foco em novas prioridades.
PAC 4: nova etapa de investimentos federais
Segundo o presidente, o governo trabalha na elaboração do PAC 4, que deverá definir um conjunto de obras de infraestrutura para receber investimento federal. A fonte não detalhou quais setores serão priorizados, nem o montante de recursos previsto para o programa. A declaração indica que a equipe econômica e os ministérios da área de infraestrutura já discutem os projetos que integrarão a nova carteira.
A menção ao PAC 4 ocorre em um contexto de retomada de investimentos públicos em rodovias, ferrovias, portos, energia e saneamento. Programas anteriores do gênero, como o PAC original e suas versões seguintes, tiveram papel relevante na expansão da malha logística e na geração de empregos no país. A nova edição, conforme sinalizado por Lula, deverá seguir a mesma lógica de impulsionar o crescimento por meio de obras estruturantes.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a definição das obras do PAC 4 dependerá da capacidade fiscal do governo e da articulação com estados e municípios. A fonte não detalhou prazos para o lançamento oficial do programa, mas a fala do presidente sugere que o anúncio pode ocorrer em breve.
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Royalties do petróleo para formar gente
Na mesma entrevista, Lula defendeu que parte dos recursos arrecadados com o petróleo seja reservada para investir em educação e formação. Ele citou especialmente as descobertas na região da Margem Equatorial, área que tem gerado expectativa de novas reservas no litoral norte do país. A proposta é que esses recursos não sejam integralmente consumidos em despesas correntes, mas sim direcionados para qualificar a população.
“O dinheiro do petróleo, precisamos guardar uma parte para o futuro desse país. Formar gente, formar meninas e meninos. Qualificá-los nas áreas que forem necessárias porque nos próximos 10 anos queremos fazer o Brasil entre os 10 mais bem formados do mundo”, afirmou o presidente. A fala indica uma meta ambiciosa de posicionar o país entre as nações com melhor formação educacional na próxima década.
A destinação de royalties para educação não é uma ideia nova no debate público, mas a menção à Margem Equatorial traz um elemento adicional: a expectativa de que novas jazidas possam gerar receitas extraordinárias. A fonte não detalhou percentuais ou mecanismos legais para essa reserva, tampouco se haverá mudança na legislação atual que rege a distribuição dos royalties.
Formação como prioridade estratégica
A ênfase em “formar meninas e meninos” e qualificá-los nas áreas necessárias sugere uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do capital humano. Lula não especificou quais áreas seriam priorizadas, mas a referência a “áreas que forem necessárias” pode abranger desde ciências exatas e tecnologia até profissões ligadas à transição energética e à economia digital.
A meta de colocar o Brasil entre os 10 países mais bem formados do mundo em 10 anos exigiria avanços significativos em indicadores como qualidade do ensino básico, acesso ao ensino superior e formação técnica profissional. A fonte não detalhou como o governo pretende medir esse progresso ou quais políticas complementares serão adotadas.
A proposta de vincular receitas do petróleo à educação encontra respaldo em experiências internacionais, como o fundo soberano da Noruega, que reserva parte da renda petrolífera para as futuras gerações. No Brasil, a aplicação de royalties em educação já é prevista em lei para algumas esferas, mas a abrangência e o volume ainda são objeto de debate.
Fim da escala 6×1 e impacto para mulheres
Lula também comentou o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias trabalhados para um de descanso. Para o presidente, a mudança é importante para todos os brasileiros, mas tem um significado especial para as mulheres. Ele argumentou que os trabalhos domésticos, na sociedade, muitas vezes acabam recaindo sobre elas, o que torna a jornada 6×1 ainda mais desgastante para o público feminino.
A declaração ocorre em meio a discussões no Congresso e em setores da sociedade sobre a redução da jornada de trabalho e a adoção de escalas mais flexíveis. A fonte não detalhou se o governo pretende enviar uma proposta formal sobre o tema ou se a fala reflete apenas uma posição pessoal do presidente.
A menção às mulheres e à dupla jornada — trabalho remunerado somado ao trabalho doméstico não remunerado — reforça um argumento recorrente em debates sobre igualdade de gênero no mercado de trabalho. A fonte não apresentou dados sobre o impacto econômico da mudança, nem sobre eventuais compensações para empresas.
Próximos passos e expectativas
As declarações de Lula sinalizam uma agenda que combina investimento em infraestrutura, educação e mudanças nas relações de trabalho. O anúncio do PAC 4, a reserva de royalties para formação e a defesa do fim da escala 6×1 indicam prioridades do governo para os próximos meses. A fonte não detalhou cronogramas ou medidas legislativas concretas para cada uma dessas frentes.
Analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que a menção ao PAC 4 pode ter impacto positivo na base aliada e no setor produtivo, enquanto a proposta de destinar royalties à educação dialoga com demandas históricas de movimentos sociais e educadores. Já o posicionamento sobre a escala 6×1 tende a repercutir entre sindicatos e centrais trabalhistas.
O governo deverá apresentar detalhes adicionais sobre o PAC 4 e sobre a política de aplicação dos recursos do petróleo em educação nas próximas semanas, segundo expectativa de interlocutores. A fonte não confirmou datas ou formatos desses anúncios.
Fonte
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