A quinta-feira (17) foi um dia de montanha-russa no mercado brasileiro. A sessão começou em clima positivo, com queda de juros, baixa do dólar e alta da bolsa, como reflexo do corte de juros pelo Banco Central na véspera. No entanto, antes mesmo de a manhã terminar, o quadro mudou completamente. O anúncio de um reajuste surpresa de 15% no valor do Bolsa Família, que pode significar um custo extra de R$ 22 bilhões para o orçamento de 2027, azedou o humor dos investidores.
Apesar da turbulência, os principais indicadores encerraram o dia no positivo, impulsionados pelo cenário internacional.
Manhã positiva reflete corte de juros
O dia começou com otimismo no mercado doméstico. Investidores repercutiam a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic, anunciada na quarta-feira (16). Esse movimento tende a estimular a economia, reduzindo o custo do crédito e incentivando o consumo e o investimento. Como resultado imediato, os juros futuros operavam em queda, o dólar recuava frente ao real e o Ibovespa avançava. A expectativa era de uma sessão tranquila, com os ativos brasileiros se beneficiando do alívio monetário.
A fonte não detalhou a magnitude exata das variações no início do pregão, mas o sentimento era claramente positivo.
Anúncio do Bolsa Família muda o rumo
A calmaria durou pouco. Ainda pela manhã, veio a público o reajuste de 15% no Bolsa Família. O impacto fiscal estimado é de R$ 22 bilhões adicionais para o orçamento de 2027. Em um momento no qual a proximidade das eleições amplia os questionamentos do mercado sobre o aumento de gastos públicos, que impulsiona cada vez mais o endividamento do governo, o temor criado pelo anúncio ganhou muito mais amplitude. Investidores passaram a precificar maior risco fiscal, o que pressionou os ativos locais.
A notícia gerou uma reviravolta rápida e intensa nos preços, evidenciando a sensibilidade do mercado a temas de política econômica.
Juros disparam e Tesouro Direto pausa
Com o aumento da aversão ao risco, os juros futuros inverteram a direção e passaram a subir com força. A volatilidade foi tamanha que o Tesouro Direto chegou a entrar em “circuit breaker”, ou seja, uma pausa forçada quando a volatilidade dispara. Esse mecanismo é acionado para evitar movimentos bruscos e dar tempo aos investidores de reavaliar suas posições. No auge do estresse, títulos como o IPCA+ 2040 e o Prefixado 2032 tiveram elevações significativas de taxas no início da tarde.
A pausa no Tesouro Direto é um sinal claro de que o mercado operava sob forte tensão, com ordens de venda superando a capacidade de absorção.
Dólar e Ibovespa invertem sinal
O dólar, que havia começado o dia em queda, voltou ao território positivo ante o real. A moeda americana refletia a busca por segurança diante do risco fiscal doméstico. Simultaneamente, o Ibovespa inverteu o rumo de alta e passou a operar no negativo. A combinação de juros em alta, dólar forte e bolsa em queda caracterizou o pior momento da sessão. A fonte não detalhou os valores mínimos atingidos pelo índice ou a cotação máxima do dólar durante o dia.
Contudo, a virada foi rápida e evidenciou a fragilidade do otimismo inicial.
Exterior positivo ajuda na recuperação
O baque, porém, foi sendo assimilado ao longo da tarde, principalmente diante do cenário exterior positivo. Lá fora, os mercados internacionais reagiram à queda dos preços do petróleo e ao leve recuo das taxas dos títulos federais americanos. O barril do Brent, a referência internacional, recuou 1,71% para US$ 104,02. Os juros do título de 10 anos dos EUA fecharam abaixo da marca de 5%, a 4,934% ao ano. Esses fatores aliviaram a pressão sobre os ativos de risco, incluindo os emergentes.
O alívio externo deu suporte para que os mercados brasileiros reduzissem as perdas e buscassem estabilização.
Bolsas de Nova York sobem com tecnologia
As bolsas de Nova York subiram nesta quinta-feira, impulsionadas pelas ações de tecnologia. O S&P 500 avançou 1,14% e o Nasdaq teve ganho de 1,69%. O desempenho positivo refletiu a avaliação mais favorável da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tomada na quarta-feira (16) de subir os juros em 0,25 ponto e sinalizar mais uma alta pela frente. A elevação das taxas ajudou a tirar qualquer dúvida sobre a credibilidade do Fed.
Além disso, a decisão foi tomada em um momento visto como favorável em termos de crescimento e perspectivas. A própria avaliação do Fed indicou uma visão de que a economia americana está mais forte que o esperado e em um cenário de pleno emprego.
Fechamento mostra resiliência do mercado
Apesar da forte volatilidade, o mercado brasileiro conseguiu encerrar o dia no positivo. No fim do dia, o Ibovespa voltou ao território positivo e terminou em alta de 0,24% aos 185.992 pontos. O dólar passou a cair e terminou o dia em queda de 0,24% a R$ 5,1386. No Tesouro Direto, títulos como o IPCA+ 2040 e o Prefixado 2032 tiveram elevações significativas de taxas no início da tarde, mas terminaram no mesmo patamar da quarta-feira (16).
O Tesouro IPCA+ 2040 encerrou estável com taxa de 7,31%, a mesma do dia anterior. O Tesouro Prefixado 2032 teve uma ligeira alta para 14,26%, ante 14,24% um dia antes. A recuperação no fim do dia sugere que os investidores ponderaram os riscos fiscais com o ambiente externo favorável.
Leitura do Fed vira copo meio cheio
No pano de fundo, a decisão do Federal Reserve passou a ser avaliada pelo lado do copo meio cheio. Uma ação de controle de preços, nesse caso, foi vista como relativamente benéfica. Isso porque, além de aliviar a pressão inflacionária, pode tirar parte do prêmio no mercado de juros relacionado à desconfiança sobre um BC mais vulnerável a ingerências políticas. A sinalização de mais uma alta de juros nos EUA foi interpretada como compromisso com a estabilidade de preços, o que tende a ancorar expectativas.
Esse entendimento ajudou a sustentar o apetite por risco globalmente, beneficiando também os ativos brasileiros no fechamento.
Perspectivas seguem atentas ao fiscal
O episódio do Bolsa Família reforçou a sensibilidade do mercado a temas fiscais. A proximidade das eleições tende a manter os investidores em alerta para novas medidas que possam impactar as contas públicas. O endividamento do governo é um ponto central de preocupação, pois afeta a percepção de risco-país e, consequentemente, os prêmios exigidos nos juros. A fonte não detalhou se haverá novas medidas compensatórias para o reajuste do benefício. O comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá da evolução do cenário político e dos indicadores econômicos.
Por ora, a sessão de quinta-feira mostrou que o mercado brasileiro consegue se recuperar, mas permanece vulnerável a surpresas fiscais.
Fonte
- investnews.com.br
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