S&P rebaixa rating da 3tentos para brA+ com viés negativo
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A agência de classificação de risco S&P Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de “brAA” para “brA+” na escala nacional brasileira e alterou a perspectiva do rating de estável para negativa. A decisão reflete a deterioração da rentabilidade da companhia, o aumento da alavancagem e a piora de sua posição de liquidez. O anúncio ocorre em um momento desafiador para a empresa, que vê suas ações acumularem queda de 30% no ano.

Além do rating corporativo, a agência também reduziu a classificação das 1ª, 2ª e 3ª séries da 201ª emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Opea Securitizadora, lastreados em créditos da 3tentos, de “brAA (sf)” para “brA+ (sf)”. A medida amplia o impacto do rebaixamento para instrumentos de dívida ligados à companhia.

Rentabilidade abaixo do esperado

Segundo a S&P, os resultados operacionais da companhia ficaram abaixo das expectativas em razão das margens mais fracas no segmento industrial e da contribuição mais lenta das novas capacidades produtivas. A agência revisou sua projeção de Ebitda para 2026 de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões. A revisão reflete um cenário mais adverso do que o inicialmente previsto.

Na avaliação dos analistas, embora os negócios de grãos e insumos da 3tentos tenham apresentado crescimento de volume no primeiro semestre, ambos possuem margens menores do que as operações industriais. Além disso, o segmento foi pressionado pela queda dos preços do farelo de soja e do biodiesel, pelo aumento dos custos logísticos e pela postergação da mistura obrigatória de biodiesel B16 para 2027. Esses fatores combinados corroeram a rentabilidade.

A S&P também destaca que a nova planta de etanol de milho iniciou operações apenas em meados de junho deste ano, contribuindo pouco para os resultados do semestre, apesar dos investimentos já realizados para sua implantação. O atraso no ramp-up da unidade limitou o retorno esperado no período.

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Liquidez insuficiente preocupa

Outro fator determinante para o rebaixamento foi a piora na liquidez da companhia. A agência alterou sua avaliação de liquidez de “suficiente” para “insuficiente”, citando os elevados vencimentos de curto prazo, a necessidade de capital de giro e o volume relevante de investimentos em andamento. A posição financeira ficou mais apertada.

Em junho de 2026, a 3tentos possuía cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa, frente a aproximadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas de curto prazo, além de R$ 366,8 milhões relacionados à TentosCap. Mesmo considerando a monetização de estoques de grãos de alta liquidez, a S&P estima que as fontes de caixa cubram apenas 0,9 vez os usos previstos para os próximos 12 meses. A cobertura é inferior ao ideal.

A agência observa ainda que a companhia depende da conversão de estoques em caixa e da manutenção do acesso ao crédito para administrar suas necessidades financeiras. Apesar do relacionamento sólido com bancos e do histórico de acesso ao mercado de capitais, a necessidade de refinanciamentos da 3tentos aumentou. A flexibilidade financeira, portanto, diminuiu.

Perspectiva negativa e risco de novo corte

E não acaba por aí. A S&P também alterou a perspectiva para negativa. Segundo a agência, a mudança reflete o risco de outro rebaixamento dos ratings se a recuperação operacional e a conversão dos estoques em caixa ficarem abaixo das expectativas, ou se a companhia não fortalecer sua liquidez e reduzir sua alavancagem em linha com o projetado. O cenário exige execução impecável.

No cenário-base da S&P, a dívida ajustada sobre Ebitda deve ficar ao redor de 2,3 vezes ao fim de 2026 e permanecer entre 2,0 e 2,5 vezes nos anos seguintes. A expectativa é de fluxo de caixa operacional livre negativo até 2027. Esses números indicam que a pressão sobre o balanço deve persistir no médio prazo.

Ação em queda e revisões no mercado

A piora do rating ocorre em um momento nada favorável para a companhia na bolsa. No ano, a ação despenca 30%, sendo que grande parte desse tombo ocorreu em uma única sessão, quando, em uma reunião fechada entre a direção da 3tentos e o sell side, a companhia teria revisado para baixo suas projeções. O evento abalou a confiança dos investidores.

Depois disso, várias casas cortaram as expectativas da empresa, antes uma queridinha do agronegócio. Em relatório recente, por exemplo, o BBA reduziu o preço-alvo para as ações de R$ 20 ao fim de 2026 para R$ 19. Ainda assim, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama dizem que o desempenho abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026 representou um revés temporário, e não uma mudança estrutural na tese de investimento. A visão de longo prazo permanece, mas com cautela.

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