Petróleo supera US$ 107 e pressiona juros nos EUA
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Uma nova alta dos preços do petróleo provocou perdas em ações e títulos no mercado americano, com os dados mais recentes de inflação reforçando as apostas de que o Federal Reserve elevará os juros em breve, em meio às pressões dos custos mais altos de energia. O salto do barril de petróleo Brent para mais de US$ 107 levou os rendimentos dos títulos americanos aos maiores níveis em quase duas décadas. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a persistência da inflação e seus efeitos sobre a política monetária.

Investidores antecipam alta de juros pelo Fed

Os investidores elevaram para 70% as apostas em uma alta de juros pelo Fed na reunião da próxima semana e passaram a precificar integralmente essa medida até outubro – quando haverá encontro nos dias 27 e 28. A mudança nas expectativas ocorre após a divulgação de indicadores que mostram pressões inflacionárias renovadas, especialmente no setor de energia. O mercado também foi afetado depois que o Tesouro recomprou US$ 5,19 bilhões em títulos da dívida, valor inferior ao que havia indicado anteriormente o secretário Scott Bessent.

O S&P 500 caiu pelo quarto dia consecutivo, a mais longa sequência de perdas desde junho.

Impactos no mercado brasileiro e custo de capital

O movimento tem importantes repercussões no mercado brasileiro, na medida em que também pressiona os juros futuros locais, o que encarece o custo de capital e afeta as perspectivas de empresas brasileiras. A elevação dos rendimentos nos Estados Unidos tende a atrair capital para ativos americanos, reduzindo a liquidez em mercados emergentes como o Brasil. Além disso, a alta do petróleo pode pressionar a inflação doméstica, uma vez que o país é importador líquido de combustíveis. A fonte não detalhou projeções específicas para a taxa Selic ou para o câmbio.

Inflação ao produtor renova pressões de energia

Um indicador de inflação ao produtor mostrou uma renovação das pressões provocadas pela alta dos preços de energia no mês passado. Os números foram divulgados um dia antes do índice de preços ao consumidor – o CPI –, que deve mostrar uma inflação subjacente relativamente moderada, ainda que os preços da gasolina tenham elevado o indicador cheio, com todas as categorias. A divulgação do CPI é aguardada com atenção, pois pode influenciar diretamente a decisão do Fed sobre os juros.

Alguns dirigentes do Fed sinalizaram que a decisão sobre os juros na reunião de 15 e 16 de setembro poderá depender do que os relatórios de inflação desta semana revelarem.

Dirigentes do Fed monitoram relatórios de inflação

“A inflação continua sendo um problema”, disse Clark Bellin, da Bellwether Wealth. “Embora os movimentos nos juros não possam derrubar os preços elevados do petróleo, o trabalho do Fed é responder às pressões inflacionárias.” À medida que a guerra no Irã se prolonga, as pressões inflacionárias se tornam mais enraizadas, disse Jeffrey Roach, da LPL Financial. Nesse ritmo, uma alta de juros pelo Fed na próxima semana parece provável, acrescentou.

Ainda assim, a empresa colocou sob revisão sua previsão de que o Fed – do novo presidente Kevin Warsh – não elevaria os juros e a atualizará após a divulgação do relatório do CPI na sexta-feira.

Visões divergentes sobre a eficácia da alta

“A inflação é uma restrição física e um problema geopolítico, não um problema monetário”, disse Brian Jacobsen, da Annex Wealth Management. “Se o Fed elevar os juros na próxima semana, deveria ser uma alta simbólica, para afirmar sua independência e construir credibilidade, e não na esperança de que ela resolva de fato o problema da inflação.” Essa visão contrasta com a de outros analistas que veem a alta como necessária para conter as expectativas.

A divergência reflete a complexidade do cenário atual, em que fatores de oferta e geopolíticos se misturam à política monetária.

Banco Central Europeu também eleva juros

Enquanto isso, o Banco Central Europeu elevou os juros pela segunda vez desde o início da Guerra no Irã, com os preços mais altos do petróleo levando a apostas em novos aumentos. A decisão do BCE reforça o movimento global de aperto monetário em resposta à inflação energética. O alinhamento entre os principais bancos centrais pode amplificar os efeitos sobre os mercados financeiros internacionais. A fonte não detalhou a magnitude do aumento nem as projeções para as próximas reuniões do BCE.

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