O Morgan Stanley rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight (compra) para equal-weight (neutro), de acordo com relatório que cita riscos fiscais e de política econômica. Dessa forma, a decisão ocorre em meio a um cenário de cautela com o Brasil, após o JP Morgan já ter adotado postura semelhante em agosto. Além disso, o movimento reforça a pressão sobre o Ibovespa, que acumula quedas consecutivas e intensifica o alerta de investidores estrangeiros.
Morgan Stanley rebaixa ações brasileiras
No relatório, os analistas Nikolaj Lippmann, Julia L. Nogueira e Marcos Rios afirmam que o rebaixamento não representa uma visão direcional sobre as eleições do quarto trimestre de 2026. No entanto, reconhecem que os riscos fiscais e de política econômica estão aumentando. Ademais, o banco também admite não ter convicção sobre o resultado das eleições presidenciais de outubro, o que justifica uma postura mais defensiva no portfólio.
Setores com exposição global, especialmente energia e agricultura, continuam bem sustentados, de acordo com o Morgan Stanley. Consequentemente, essas áreas oferecem uma compensação parcial para a fraqueza do ciclo doméstico. Assim sendo, a instituição prefere reduzir a alocação geral ao Brasil. “Por isso, preferimos reduzir nossa alocação geral ao Brasil, mantendo exposição seletiva aos motores de crescimento global e ao potencial de valorização associado a mudanças de política”, diz o relatório.
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Exposição global compensa fraqueza doméstica
O banco destaca que os setores brasileiros com exposição global, como energia e agricultura, seguem bem sustentados. Esses segmentos podem oferecer uma compensação parcial para a fraqueza do ciclo doméstico, reduzindo o impacto do rebaixamento. Portanto, a abordagem seletiva busca manter exposição a motores de crescimento global e ao potencial de valorização ligado a mudanças de política.
Segundo o Morgan Stanley, a decisão de reduzir a alocação no Brasil não é direcionada às eleições de 2026, mas sim ao aumento dos riscos fiscais e de política econômica. Além disso, o banco afirma não ter convicção sobre o resultado das eleições presidenciais de outubro, o que motivou uma postura mais cautelosa. Consequentemente, essa postura defensiva reflete a expectativa de um cenário doméstico mais desafiador nos próximos meses.
Chile: novo destino dos recursos
Em paralelo ao rebaixamento do Brasil, o Morgan Stanley elevou a recomendação para o Chile, de equal-weight (neutro) para overweight (compra). O banco realocou risco para o país vizinho, visto que o ciclo de investimentos e o ambiente de políticas públicas oferecem uma configuração mais favorável no curto prazo. “Vemos o cenário no Chile ficando mais favorável, com investimentos crescentes impulsionados pelo ciclo global de capex em inteligência artificial e por políticas que favorecem projetos estratégicos e a desregulamentação”, afirmam os analistas no relatório.
A mudança ocorre enquanto o Brasil enfrenta incertezas eleitorais e fiscais. Por outro lado, o movimento de recursos para o Chile indica uma preferência por mercados com maior previsibilidade. Dessa forma, a decisão do Morgan Stanley reforça a visão de que o ambiente macroeconômico chileno está mais atrativo no momento.
Contexto de cautela se amplia
O rebaixamento do Morgan Stanley ocorre cerca de um mês após o JP Morgan também ter reduzido a recomendação do Brasil, de overweight para neutro, em 11 de agosto. Na ocasião, o banco citou o ciclo de flexibilização monetária perto do fim, o crescimento econômico em desaceleração e a deterioração do ciclo de crédito. Portanto, os dois bancos internacionais sinalizam uma leitura semelhante sobre o risco Brasil.
Nos pregões seguintes ao movimento do JP Morgan, o Ibovespa registrou forte debandada do investidor estrangeiro, com 11 quedas consecutivas. Além disso, essa foi a pior sequência do índice desde 2023, refletindo o aumento da aversão ao risco. Consequentemente, a combinação de fatores fiscais e políticos mantém o mercado em alerta.
Carteira defensiva e seleção de papéis
Diante do aumento de incertezas, o Morgan Stanley ajustou sua carteira recomendada para o Brasil. Por exemplo, a Suzano (SUZB3) foi incluída como proteção contra uma possível desvalorização do real. Por outro lado, o Banco do Brasil (BBAS3) foi excluído, enquanto as posições em XP (XPBR31) e B3 (B3SA3) foram reduzidas.
Essas mudanças têm como principal objetivo diminuir o risco antes das eleições de outubro. Dessa forma, o banco busca reduzir a exposição a ativos mais sensíveis ao cenário doméstico, mantendo posições em empresas com fundamentos mais ligados ao ciclo global. Em resumo, a seleção de papéis reflete a preferência por proteção cambial e por setores com resiliência.
Fonte
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