Juiz rejeita tentativa frívola de Ghislaine Maxwell
Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, falha em tentativa ‘frívola’ de anular condenação
Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou o pedido de Ghislaine Maxwell, cúmplice fundamental do notório agressor sexual Jeffrey Epstein, para anular sua condenação por tráfico sexual. Na decisão, o juiz Paul Engelmayer afirmou que as alegações da defesa eram ‘infundadas’ e ‘frívolas’. Assim sendo, Maxwell, de 64 anos, foi condenada a 20 anos de prisão.
Decisão do juiz Paul Engelmayer
O juiz federal Paul Engelmayer negou o pedido de Ghislaine Maxwell para anular sua condenação. Em sua decisão, ele afirmou que as alegações de que os direitos constitucionais dela foram violados durante o julgamento e a determinação da pena ‘são todas infundadas e todas, ou quase todas, são frívolas’. Todavia, a defesa não obteve êxito na tentativa de reverter o caso.
Maxwell, de 64 anos, é a única pessoa condenada por um crime relacionado a Epstein, que morreu numa cela na prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto aguardava seu próprio julgamento. Dessa forma, a condenação de Maxwell, somada à morte do magnata, concentrou as atenções do processo na ex-socialite.
O caso de tráfico sexual
Maxwell foi condenada em 2021 por fornecer meninas menores de idade a Epstein, cujas ligações com poderosos executivos empresariais, políticos, celebridades e acadêmicos alimentaram anos de escrutínio e teorias da conspiração. Além disso, essas conexões tornaram o caso um dos mais emblemáticos do sistema judiciário norte-americano. Consequentemente, a sentença de 20 anos de prisão refletiu a gravidade das acusações.
O processo contra Maxwell ganhou contornos internacionais devido à proeminência das pessoas envolvidas. Ademais, a relação de Epstein com figuras do poder político e econômico foi amplamente explorada durante o julgamento, mantendo o caso sob os holofotes da mídia mundial.
Arquivos liberados pela Casa Branca
Sob uma nova lei aprovada no ano passado, a administração do presidente Donald Trump divulgou uma vasta quantidade de arquivos de investigação relacionados a Epstein, o que atraiu enorme atenção pública para o caso. No entanto, Trump, que manteve uma relação de vários anos com Epstein, se opôs inicialmente à divulgação dos chamados ‘dossiês de Epstein’. Consequentemente, essa oposição suscitou acusações de encobrimento, que o perseguiram durante seu primeiro ano de retorno ao cargo.
O republicano negou qualquer ligação com os crimes de Epstein. Sobretudo, figuras de destaque, incluindo o ex-príncipe André do Reino Unido, foram publicamente desacreditadas devido às suas ligações com Epstein. Portanto, a liberação dos arquivos renovou o interesse público e midiático pelo caso.
Maxwell e a pressão do Congresso
Em fevereiro, Maxwell foi intimada pela Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes para discutir suas relações com Epstein, mas recusou-se a responder a qualquer pergunta. Contudo, seu advogado afirmou que ela só falaria se Trump lhe concedesse clemência. A recusa aconteceu em meio a uma série de investigações legislativas sobre o caso.
A negativa de Maxwell em colaborar com a comissão gerou tensão entre os parlamentares e a defesa. Até o momento, não foram anunciadas medidas formais contra a ex-socialite pela negativa em depor. A situação ocorre em um cenário de intensa repercussão política.
Recursos anteriores e próximos passos
Esta não é a primeira vez que Maxwell vê um recurso ser rejeitado. Em outubro passado, a Suprema Corte dos EUA recusou-se a apreciar um recurso interposto por Maxwell contra sua condenação por tráfico sexual. A decisão do juiz Engelmayer, portanto, é mais um capítulo na longa batalha jurídica.
A defesa ainda pode buscar outras alternativas, mas as sucessivas negativas indicam que as chances de reverter a condenação são cada vez menores. O caso permanece sob os holofotes, especialmente após a liberação dos arquivos e as novas revelações sobre a rede de contatos de Epstein.
