Turismo de conservação pode consolidar a paz no Pantanal
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Com 95% do Pantanal em propriedades privadas, a preservação do bioma depende também do engajamento dos pecuaristas. Nesse cenário, o turismo de conservação surge como uma alternativa para transformar a proteção da natureza em atividade econômica. Na Fazenda Caiman, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, essa fórmula já se mostra viável: a pecuária comercial, a conservação ambiental e o empreendimento turístico convivem em harmonia no mesmo território.

O Pantanal é majoritariamente privado

Maior planície alagada do mundo, um dos principais refúgios da biodiversidade do planeta e um dos grandes estoques naturais de carbono da Terra, o Pantanal guarda uma característica pouco conhecida, mas decisiva para sua proteção: 95% do território está em propriedades particulares.

Isso significa que a conservação do bioma passa, obrigatoriamente, pela adesão dos donos de terra. A rica biodiversidade pantaneira é o grande motor do turismo regional.

Biodiversidade em números

  • Cerca de 2,2 mil espécies de plantas
  • Cerca de 325 espécies de peixes
  • Cerca de 150 espécies de mamíferos
  • Cerca de 650 espécies de aves, como a arara azul

É nesse contexto que o turismo de conservação ganha força, como uma forma de aliar preservação e renda.

Fazenda Caiman: produção e conservação

Criada pelo empresário Roberto Klabin em 1985, em Miranda (MS), a Fazenda Caiman abrange 52,4 mil hectares.

Um dos primeiros empresários a apostar no ecoturismo como forma de proteger o bioma, Klabin uniu no mesmo espaço a pecuária comercial e a conservação ambiental. A propriedade tornou-se referência ao mostrar que é possível conciliar atividades tradicionalmente conflituosas.

Parceria com o Onçafari reduz conflitos

Em parceria com o Onçafari, ONG fundada por Mario Haberfeld em 2011, a Caiman criou mecanismos para reduzir o conflito entre criadores de gado e onças-pintadas. Um dos projetos busca resolver um dos principais problemas: a predação de rebanhos por onças. Ao transformar o prejuízo causado pelo felino em um risco compartilhado, a iniciativa ajuda a “acalmar os ânimos” no campo e reduz o incentivo à caça retaliatória.

O monitoramento da fauna também é parte essencial do trabalho. Segundo a organização, desde sua criação, já foram identificadas mais de 300 onças-pintadas no Pantanal.

População de onças em expansão

  • Mais de 300 onças-pintadas identificadas desde a criação
  • 20 novos indivíduos no ano passado
  • Nove nascimentos — um indicador de que a população local está em expansão

Boa parte dos animais que circulam pelo território da Caiman é monitorada por colares com tecnologia de rastreamento, o que aumenta as chances de avistamento durante os safáris.

Essas ações contribuem tanto para a pesquisa quanto para o turismo de observação de onças.

Turismo financia a conservação

O modelo da Caiman mostra um círculo virtuoso: o turismo financia a proteção da natureza, e a natureza protegida atrai turistas. Desde 2022, parte dos custos extras com conservação é paga pela operação hoteleira da propriedade.

Custos extras com conservação

  • Manutenção de brigadas de incêndio
  • Monitoramento por satélite
  • Rede de poços para combate às chamas

A Fazenda Caiman foi a primeira propriedade privada do Pantanal a adotar a queima prescrita, técnica que utiliza fogo controlado para reduzir o material combustível.

Para os visitantes, a experiência inclui diárias a partir de R$ 70 mil na Villa Cordilheira, que pode ser reservada para um grupo por vez, com equipe dedicada, anfitriões, chef, garçons, guias de campo e veículos exclusivos para os safáris, com horários e roteiros personalizados.

Reconhecimento internacional do Pantanal

O cenário é favorável para o turismo de conservação. O Pantanal ganha cada vez mais visibilidade dentro e fora do Brasil. No início do ano, a região foi tema de uma exposição de fotografia no Science Museum, em Londres, com repercussão em publicações como The Sun e The Mirror. Antes, já havia sido eleita pela revista Time como um dos 50 melhores lugares do mundo para visitar e apontada pelo USA Today como o quarto melhor destino para observação de vida selvagem.

Rede de esforços pela conservação

Por trás desse movimento, está uma rede de esforços que reúne organizações, comunidades locais, associações e empresas privadas. Iniciativas como SOS Pantanal e Documenta Pantanal, ONGs como Onçafari e Instituto Arara-Azul, e a própria Caiman trabalham em conjunto para fortalecer o turismo de conservação.

Todos esses atores atuam de forma integrada. A ideia é que a proteção da natureza deixe de ser vista como entrave e passe a ser encarada como oportunidade de negócio.

Com isso, o Pantanal demonstra que é possível selar a paz entre pecuaristas e onças, transformando um conflito histórico em uma aliança pela biodiversidade.

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