Vendas da GM e Toyota: liderança da GM ameaçada nos EUA
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A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, participou nesta semana de uma cerimônia de inauguração em uma fábrica em Lansing, Michigan, que um dia esteve ameaçada de fechamento. Em seguida, usando colete de segurança amarelo e óculos de proteção, ela acompanhou o início da produção em uma unidade que a General Motors (GM) havia abandonado. O motivo da celebração, no entanto, não era a GM: a fábrica, construída em parceria com a LG Energy Solution, agora vai produzir baterias para a Toyota, que transferiu para lá um pedido de US$ 1,5 bilhão.

No entanto, não passou despercebido ao público que as baterias seriam destinadas a uma rival japonesa, e não à GM, a empresa símbolo da região. Em seguida, quando perguntaram sobre isso, Whitmer desconversou: “Meu objetivo é sempre garantir que o investimento aconteça aqui”, disse. “E que, no fim, ele gere empregos bem remunerados.”

Símbolo de uma transição

A fábrica de Lansing teve um destino simbólico. Assim sendo, a GM havia desistido dos planos para a unidade de baterias de veículos elétricos, construída em parceria com a LG Energy Solution, e vendido sua participação em 2024. A Toyota, então, concordou em transferir para lá um pedido de US$ 1,5 bilhão, dando nova vida ao local. A cerimônia desta semana marcou o início da produção, mas também evidenciou a mudança de forças no mercado automobilístico americano.

Para Whitmer, a prioridade é clara: garantir investimentos e empregos em Michigan, independentemente da montadora envolvida. A declaração da governadora, porém, não esconde o simbolismo de uma fábrica que deveria ser da GM agora trabalhando para a concorrente japonesa.

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A diferença que encolhe

A disputa entre GM e Toyota nos Estados Unidos está mais acirrada do que nunca. Por exemplo, há 20 anos, a GM vendia no país o dobro de carros e caminhões que a Toyota. Contudo, hoje, essa vantagem caiu para pouco mais de 100 mil veículos até julho. Dessa forma, a Toyota está reduzindo rapidamente a diferença, ameaçando encerrar o reinado de quase 100 anos da GM no topo do mercado dos EUA.

Números recentes mostram o equilíbrio: Toyota e GM venderam, cada uma, cerca de 1,5 milhão de veículos neste ano. As duas montadoras, porém, afirmam que participação de mercado é apenas uma das métricas de sucesso. Um porta-voz da GM destacou que a empresa também tem veículos em falta, o que limitou as vendas.

Estratégias opostas de mercado

As estratégias atuais das duas empresas ajudam a explicar o cenário.

Estratégia da Toyota

A Toyota está lançando uma sequência de novos modelos, aproveitando a forte demanda por híbridos e investindo bilhões de dólares para ampliar a produção americana em lugares como Texas e Kentucky. Contudo, esses investimentos ocorrem enquanto a empresa enfrenta mercados mais estagnados no exterior.

Além disso, a Toyota registrou aumentos de dois dígitos nas vendas do Corolla e do Camry neste ano, modelos que começam em US$ 24 mil e US$ 30 mil, respectivamente. Por outro lado, eles oferecem margens menores, mas ocupam uma fatia do mercado que a GM abandonou.

Estratégia da GM

A GM, por sua vez, é mais forte entre compradores de picapes que procuram espaço e robustez, além de consumidores fiéis às marcas americanas. Além disso, a picape Silverado, da GM, normalmente ultrapassa US$ 50 mil em preço de venda, mas é o segundo veículo mais vendido nos EUA e extremamente lucrativa.

GM aposta em lucros recordes

O balanço financeiro da GM segue uma trajetória diferente. Assim sendo, a empresa caminha para registrar lucros operacionais próximos de recordes neste ano. Além disso, o preço de suas ações subiu 50% em relação ao ano passado e está sendo negociado em níveis recordes. “Estruturalmente, a GM está muito mais sólida do que acredito que tenha estado em qualquer outro momento de sua história”, disse o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, em um podcast recente.

Enquanto isso, a Toyota, a maior montadora do mundo em vendas, é aproximadamente duas vezes mais lucrativa que a GM e recentemente elevou sua previsão anual de lucros, afirmando que será beneficiada por um iene mais fraco e por um impacto menor da guerra no Irã.

A herança de um século

A história da GM explica sua obsessão com vendas. Ou seja, montada no início dos anos 1900 por meio da consolidação de diversas empresas automobilísticas, a GM chegou ao auge controlando mais da metade do mercado americano. Consequentemente, executivos da GM e a indústria como um todo ficaram durante muito tempo obcecados com a participação de mercado.

“Ela era analisada todos os meses”, disse Mark LaNeve, ex-executivo que comandou as operações de vendas da GM antes da falência da empresa em 2009 e posteriormente ocupou o mesmo cargo na Ford Motor. “Eu fazia essas ligações mensais para divulgar as vendas, e a ação subia e caía em tempo real.” Esse crescimento, porém, teve um custo: a GM frequentemente dependia de grandes descontos e financiamentos baratos para vender carros pouco populares.

O contraste com a Toyota, que ocupa segmentos deixados de lado pela GM, mostra que a disputa não é apenas numérica. As duas montadoras buscam consumidores diferentes: a Toyota atrai mais compradores preocupados com o meio ambiente e aqueles que priorizam confiabilidade e eficiência. Por outro lado, a GM segue forte com picapes robustas e marcas americanas tradicionais. A corrida pelo topo, no entanto, está longe de terminar.

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