A Aeris (AERI3) pediu a suspensão das execuções judiciais de credores por 60 dias, por meio de ação cautelar. A medida foi comunicada nesta quinta-feira (20) e, segundo a companhia, visa dar fôlego para renegociar as dívidas.
Contexto de crise no setor
A semana que começou com a Casas Bahia (BHIA3) e a Marabraz pedindo recuperação judicial termina com outra empresa em dificuldades. A Aeris, fabricante de pás e geradores elétricos para o setor de energia eólica, busca um fôlego jurídico para evitar um destino semelhante.
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Objetivo da ação cautelar
Em comunicado, a empresa afirmou que o objetivo é renegociar os termos originais das dívidas, ajustando sua estrutura de capital à capacidade de geração de caixa e às perspectivas de longo prazo. A companhia destacou que a medida é temporária e preparatória.
“Essa medida temporária e preparatória visa preservar as condições necessárias para a continuidade das tratativas com os credores”, afirmou a empresa. A expectativa é que, no prazo de 60 dias, a companhia consiga um acordo que evite a judicialização definitiva das dívidas.
Na prática, a suspensão das execuções impedirá que credores cobrem seus créditos na Justiça durante o período. A ação cautelar, no entanto, não deve afetar as operações da companhia. Segundo a empresa, não haverá impacto sobre clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros essenciais para o funcionamento do negócio.
Perda de 98% desde o IPO
Desde o IPO, em 2021, as ações da Aeris acumulam uma perda de 98%. Na época, a empresa abriu o capital com um forte discurso ligado à agenda ESG, que envolve boas práticas ambientais, sociais e de governança.
A fabricante de pás e geradores elétricos atraiu investidores interessados em energia limpa. Na prática, uma aplicação de R$ 100 na abertura do capital valeria hoje cerca de R$ 2, o que ilustra a magnitude da desvalorização.
No entanto, a falta de resultados e o aumento do endividamento, em meio à frustração com a demanda no setor eólico, pressionaram os negócios.
Números do segundo trimestre de 2026
No segundo trimestre de 2026, a Aeris reportou prejuízo líquido de R$ 152 milhões, ampliando as perdas acumuladas no ano. As despesas financeiras líquidas somaram R$ 114 milhões, uma alta de 60,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A posição de caixa livre era de R$ 17,3 milhões, enquanto a dívida bruta totalizava R$ 1,9 bilhão. O cenário revela um descompasso evidente: a dívida é consideravelmente superior ao caixa, o que reforça a necessidade de renegociação.
Os números do balanço mostram que a companhia enfrenta uma pressão financeira que vai além da operação. As despesas financeiras, que somaram R$ 114 milhões no trimestre, consomem uma parcela relevante dos recursos disponíveis. O prejuízo acumulado no ano, por sua vez, indica que a empresa ainda não encontrou um ponto de equilíbrio.
“A companhia segue comprometida com a preservação de caixa, a disciplina na alocação de capital e focada em estudos adicionais visando à maior otimização de sua estrutura de capital”, escreveu a empresa em seu release de resultados.
Reestruturação anterior
Esta não é a primeira vez que a Aeris tenta reestruturar suas dívidas. Em maio de 2025, a empresa concluiu um processo de reperfilamento do passivo financeiro, que contemplou a reestruturação de aproximadamente 90% do endividamento total.
Na ocasião, a companhia afirmou que a iniciativa proporcionou o alongamento dos prazos de vencimento da dívida e contribuiu para a redução da pressão de curto prazo sobre o serviço da dívida. Agora, a nova medida cautelar sugere que os efeitos dessa reestruturação não foram suficientes para resolver o problema.
Perspectivas
Agora, a expectativa é que as conversas com os credores avancem dentro do prazo de 60 dias. A companhia, no entanto, não detalhou os próximos passos caso o acordo não seja alcançado.
O mercado seguirá atento aos desdobramentos, uma vez que a situação financeira da Aeris segue delicada. A empresa, por sua vez, afirma que a prioridade é preservar caixa e buscar uma solução que garanta a continuidade dos negócios.
Fonte
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