Nova safra de soja pode cair por causa do El Niño, diz Cofco
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O Brasil, maior produtor e exportador global de soja, pode registrar uma safra “um pouco” menor na próxima temporada. A avaliação é do executivo Luiz Noto, da Cofco, uma das maiores exportadoras de commodities agrícolas do país, em entrevista à Reuters. Segundo ele, o fenômeno climático El Niño está confirmado e pode afetar a produtividade média nacional. “Está confirmado um El Niño. Então talvez a gente veja o impacto em produção, em produtividade… talvez um pouco menor, mas uma área maior”, afirmou.

El Niño confirmado e seus efeitos regionais

O fenômeno climático El Niño normalmente traz mais chuvas para o Sul do Brasil, mas pode trazer um período mais seco e quente para o centro-norte do país. Esse contraste tende a influenciar diretamente as lavouras, podendo reduzir o rendimento médio das culturas. Na avaliação do executivo, que está à frente de uma das maiores exportadoras de commodities agrícolas do Brasil, a produtividade média nacional pode ser afetada. Apesar disso, ele acredita que a área plantada deve ser maior, o que poderia compensar parcialmente eventuais perdas. Noto, no entanto, não detalhou números sobre a expectativa de área ou produção. Essas condições, no entanto, ainda dependem da evolução do clima nos próximos meses.

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Foco no clima para a próxima temporada

“O maior foco vai ser na questão de clima e produtividade para o ano que vem”, acrescentou ele, em referência à safra plantada a partir de meados do próximo mês, com colheita iniciando geralmente entre o final de dezembro e início de janeiro. O executivo reforçou que o El Niño está confirmado e que seus efeitos podem ser sentidos na produção. A expectativa, segundo ele, é de um impacto “um pouco menor” na produtividade, mas com uma área plantada maior. A combinação desses fatores deve definir o resultado final da safra. A atenção à temporada se concentra, portanto, nas condições meteorológicas.

Área maior, produção em debate

A avaliação do executivo vai ao encontro da opinião de alguns analistas sobre o crescimento da área plantada. Contudo, consultores veem um pequeno crescimento na produção, uma vez que as condições climáticas podem limitar a produtividade. Ainda assim, Noto acredita que a produção brasileira deverá ser compatível com as demandas no exterior e no país. Ele não falou em números, mas sinalizou que a safra pode ser “um pouco menor” em termos de produtividade. Essa perspectiva, se confirmada, teria impacto no mercado internacional de grãos. A discussão ocorre em um momento em que o país registra recordes de produção.

Recorde anterior e potencial impacto

Na última colheita, concluída no primeiro semestre, o Brasil colheu um recorde de 180,5 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume histórico serve de base para comparação com a próxima safra. Caso a produtividade caia, o total produzido poderá ser inferior ao recorde, mesmo com a área maior. O executivo não mencionou números, mas indicou que a produção deve atender às necessidades doméstica e externa. Enquanto isso, a Cofco também avalia seu desempenho logístico.

Cofco cresce com novo terminal em Santos

Ao realizar um balanço inicial do escoamento da safra 2025/26, quando a companhia tirou proveito do novo Terminal Export Cofco (TEC), no porto de Santos, o executivo disse que a Cofco cresceu “bastante”. A primeira fase do ativo tem capacidade para 12 milhões de toneladas/ano. “Nós estamos extremamente satisfeitos… crescemos bastante no corredor Santos especificamente, não só em volume que vem via ferrovia do Mato Grosso, mas nós também crescemos em ‘market share’ nas regiões que são convergentes ao porto, especificamente Minas Gerais, Goiás e São Paulo”, afirmou. O avanço da companhia, porém, está ligado à expansão de sua infraestrutura.

Expansão do terminal e diversificação das exportações

No novo terminal, a Cofco exportou neste ano soja, milho, açúcar e, na semana passada, sorgo, sem detalhar volumes. O executivo não informou números específicos sobre as exportações, mas destacou o avanço no corredor de Santos. Além disso, a companhia cresceu em participação de mercado nas regiões convergentes ao porto, como Minas Gerais, Goiás e São Paulo. A previsão é concluir a segunda fase do terminal, que elevará a capacidade para 14,5 milhões de toneladas/ano, por volta de outubro. A entrada de mais silos de armazenagem trará mais capacidade portuária. “Mas os dois berços já estão em pleno funcionamento”, destacou Noto. As mudanças no terminal reforçam a capacidade da Cofco para os próximos anos.

Diante desse cenário, a nova safra de soja do Brasil dependerá do comportamento do clima e da produtividade, enquanto a área plantada segue em expansão. A Cofco, por sua vez, amplia a infraestrutura em Santos para escoar a produção, com a segunda fase do terminal prevista para outubro. O impacto final, no entanto, ainda é uma incógnita, conforme sinalizou o executivo. Ele não falou em números, mas reforçou que o clima será o principal fator a definir o desempenho da safra. Com isso, o mercado acompanha as condições meteorológicas e as decisões de plantio.

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