Criada vacina contra chikungunya mais inteligente e segura
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Pesquisadores criaram uma vacina inteligente e mais segura contra a chikungunya. Além disso, o estudo, apoiado pela FAPESP por meio de três projetos (17/19137-7, 18/11939-0 e 23/09619-5), foi conduzido em parceria com uma equipe da Universidade de Bonn, na Alemanha. Dessa forma, o objetivo do trabalho é oferecer uma alternativa que confira proteção sem que o vírus se torne infeccioso.

A nova plataforma proposta no estudo utiliza uma estratégia inédita. Ela se baseia na inoculação de vírus incapazes de completar a maturação dentro da célula do hospedeiro e de se tornarem infecciosos, apesar de garantir a proteção contra infecções futuras. Ou seja, isso significa que o sistema imunológico recebe um estímulo seguro para criar defesas contra o patógeno, sem o risco de que ele se espalhe pelo organismo.

Estratégia inédita bloqueia maturação do vírus

No caso específico da chikungunya, a maturação do vírus depende da remoção de uma proteína de superfície chamada E3, que cobre a proteína E2, responsável pela entrada do vírus na célula. Quando a E3 não é removida, a E2 fica encoberta e o vírus não consegue infectar. Assim sendo, o mecanismo foi detalhado por um dos pesquisadores que assinam o estudo.

“Especificamente no caso do chikungunya, a maturação depende da remoção de uma proteína de superfície [E3], que cobre a proteína responsável por permitir a entrada do vírus na célula [E2]. No entanto, quando a E3 não é removida, a E2 não fica exposta e o vírus não consegue infectar”, explica o pesquisador.

Essa dependência da remoção da E3 é a chave da estratégia. Portanto, ao impedir que essa etapa ocorra, o vírus fica imaturo e incapaz de completar o ciclo infeccioso. Todavia, ele mantém a propriedade de induzir proteção no organismo, segundo os autores.

Ativação artificial ocorre antes da vacinação

Para que o vírus imaturo seja percebido pelo sistema de defesa, os pesquisadores desenvolveram um processo de ativação artificial. O vírus é “ativado” antes da vacinação, mas o organismo humano não possui a enzima necessária para que ele realize novas infecções. Dessa forma, a replicação viral é limitada a um primeiro momento e não se propaga.

“Dessa forma, o vírus é ‘ativado’ artificialmente antes da vacinação. Todavia, como essa enzima não está presente no organismo humano, o patógeno não consegue realizar novas infecções”, comenta o pesquisador.

Essa ativação controlada permite que o sistema imune entre em contato com o vírus de forma semelhante ao que ocorreria em uma infecção natural, mas sem o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, a ausência da enzima no corpo humano atua como uma trava de segurança, impedindo que o vírus se multiplique além do necessário para estimular a resposta imunológica.

Vírus imaturos funcionam como antígenos

Após essa primeira replicação controlada, todos os vírus produzidos já nascem imaturos e incapazes de infectar outras células. Dessa forma, eles funcionam apenas como antígenos, servindo de modelo para o sistema imune. Ou seja, isso quer dizer que o organismo consegue “aprender” a reconhecer o vírus sem que haja infecção.

“Após essa primeira replicação controlada, todos os vírus produzidos já nascem imaturos e incapazes de infectar outras células. Além disso, eles funcionam apenas como antígenos, servindo de modelo para o sistema imune”, completa.

Portanto, a segurança decorre do fato de o vírus não conseguir amadurecer dentro do corpo, limitando sua ação apenas à apresentação de antígenos ao sistema imunológico.

Próximos passos incluem testes e novos arbovírus

Além de buscar avançar com os testes clínicos da vacina contra a chikungunya, o grupo pretende adaptar essa plataforma vacinal para outros arbovírus. Dessa forma, a informação foi divulgada pela Agência Fapesp.

O próximo estágio do projeto, segundo os autores, é avançar com os testes clínicos da vacina contra a chikungunya e expandir a plataforma para outros arbovírus. Ademais, a informação é da Agência Fapesp.

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