Bolsas europeias fecham mistas em meio a tensão no Oriente Médio
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As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira (20) sem direção única, com o mercado avaliando as novas ameaças do presidente dos EUA ao Irã e a alta do petróleo, que reacendeu temores inflacionários. Além disso, o mercado de títulos também seguiu no radar dos investidores.

Confira, em seguida, o fechamento dos principais índices:

  • Índice pan-europeu: caiu 0,12%, aos 650,35 pontos.
  • DAX (Frankfurt): recuou 0,42%, a 25.963,04 pontos.
  • CAC 40 (Paris): caiu 0,57%, a 8.453,09 pontos.
  • FTSE 100 (Londres): fechou em alta de 0,04%, a 10.748,16 pontos.

Os fatores por trás do movimento incluem as tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo, que reacenderam o temor inflacionário. Além disso, o mercado de títulos segue sob alerta, com intervenção do Tesouro americano para dar liquidez às dívidas de longo prazo. Dessa forma, a cautela prevaleceu, e apenas a bolsa de Londres conseguiu escapar das perdas.

Ameaças ao Irã elevam petróleo

Os mercados europeus seguiram atentos aos desdobramentos no Oriente Médio. Ademais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã com medidas econômicas draconianas, além de prometer retaliar países que mantiverem relações econômicas com Teerã. Consequentemente, as declarações impulsionaram as cotações do petróleo, com o Brent se aproximando dos US$ 94 o barril, o que reduziu o apetite a risco entre os investidores. Ou seja, a alta do petróleo costuma pressionar a inflação e afetar setores dependentes de energia.

No Stoxx 600, o subíndice de viagens e lazer, que inclui companhias aéreas e é sensível às oscilações do petróleo, recuou 0,45%. Já o setor de petróleo e gás subiu 0,54%, em movimento oposto. Assim sendo, o receio de uma escalada no Oriente Médio também pesou sobre o apetite por ativos de risco.

Títulos seguem no radar

O avanço dos Treasuries, nos Estados Unidos, seguiu no radar dos investidores. No entanto, houve estabilização dos rendimentos dos títulos da zona do euro, após terem atingido as máximas em vários anos na véspera. Dessa forma, o movimento refletiu a intervenção do Tesouro dos EUA nos Treasuries para aumentar o apoio à liquidez para dívidas de longo prazo. Ou seja, essa intervenção busca evitar um aprofundamento da alta dos juros, que poderia prejudicar a recuperação econômica.

Contudo, os agentes financeiros seguem cautelosos com a trajetória da inflação. Ademais, a expectativa é de que o Banco Central Europeu mantenha a política monetária restritiva por mais tempo.

Destaques corporativos

Setor automotivo

Os resultados das montadoras foram mistos. Por exemplo, em Frankfurt, a BMW cedeu 0,48%, enquanto a Continental subiu cerca de 1%. Ademais, as francesas Stellantis (-3,76%) e Renault (-1,4%) amargaram perdas. Contudo, a Ferrari ganhou 0,76% na bolsa de Milão. Assim sendo, o desempenho do setor foi acompanhado de perto, diante da pressão de custos e da transição energética. Todavia, as montadoras tentam repassar os custos mais altos aos preços, o que pode afetar a demanda.

Outros destaques

Por exemplo, as ações da Novonesis dispararam mais de 9%, após a fabricante dinamarquesa de biossoluções elevar sua previsão de vendas para o ano completo e lançar seu primeiro programa de recompra de ações. Por outro lado, a JD Sports (-13,26%) reduziu seu guidance, segurando os ganhos de Londres. Dessa forma, a queda da varejista contrastou com o avanço da Novonesis, evidenciando a ausência de direção única no mercado. Ademais, a temporada de resultados segue no centro das atenções, com balanços trazendo revisões de projeções.

PPI da Alemanha acelera

Na agenda macroeconômica, o índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) da Alemanha subiu 3% em julho na comparação anual. Ou seja, o resultado veio pouco acima da projeção de analistas e representa uma forte aceleração ante junho, quando registrou alta de 1,8%.

O indicador é acompanhado de perto pelo Banco Central Europeu, visto que pode antecipar pressões nos preços ao consumidor. Consequentemente, a leitura reforça o temor de que a inflação continue elevada na zona do euro. Isto é, o PPI antecipa movimentos do índice de preços ao consumidor.

Resumo do pregão

Em resumo, o pregão desta quinta-feira foi marcado pela cautela, com os investidores avaliando as tensões geopolíticas, o avanço do petróleo e os sinais de inflação. Ademais, o mercado de títulos permaneceu no centro das atenções, enquanto os resultados corporativos trouxeram direções opostas.

Diante disso, as bolsas europeias encerraram sem um consenso, refletindo a incerteza global. Portanto, o mercado deve aguardar os próximos desdobramentos para encontrar uma direção mais clara. Sobretudo, os próximos pregões devem seguir sensíveis ao petróleo e aos juros, fatores que permanecem no centro do radar.

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