Corretores de imóveis não costumam economizar em superlativos, mas os relatos recentes sobre o mercado de mansões de San Francisco chamam atenção. Por exemplo, um corretor fala em “histeria”; outro compara a situação a uma corrida do ouro; um economista classifica o mercado como “absolutamente insano”.

Ademais, para uma corretora da Sotheby’s, a cidade enfrenta uma crise habitacional na ponta mais alta do mercado, com escassez de mansões. Ou seja, o diagnóstico, vindo de diferentes profissionais, é o mesmo: falta de oferta para tanta demanda.

San Francisco vive corrida por mansões

Riqueza da tecnologia e IA alimentam a demanda

Isto é, para a Sotheby’s, San Francisco enfrenta uma crise habitacional no segmento de mansões. Assim sendo, a escassez de imóveis à venda na ponta mais alta é o principal problema. Além disso, a explosão de riqueza, produzida pelo setor de tecnologia e turbinada pelo avanço da inteligência artificial e por companhias como SpaceX, alimenta a procura.

Da decadência ao aquecimento em três anos

No entanto, há três anos, a cidade era descrita como presa em uma espiral de decadência. Dessa forma, agora, o cenário é de forte aquecimento. O fenômeno, porém, vai além da Bay Area. Sobretudo, San Francisco concentra, hoje, uma geração de compradores ligados à tecnologia.

Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br

O novo patamar do ultraluxo

Jonathan Miller, veterano analista do mercado imobiliário, afirma que a escala da riqueza no segmento de ultraluxo mudou completamente na última década.

Vendas de US$ 50 milhões saltam de 3 para 45

Por exemplo, quinze anos atrás, houve três vendas de residências acima de US$ 50 milhões nos EUA; no ano passado, foram 45. Além disso, casas de US$ 100 milhões aparecem com frequência, e negócios de US$ 200 milhões não são mais impensáveis. Em resumo, imóveis de US$ 10 milhões viraram quase rotina.

Mansões que são a quinta casa do proprietário

Ademais, Miller visitou mansões de US$ 30 milhões ou US$ 40 milhões que eram a quinta casa do proprietário. Isto é, o que chama atenção não é apenas o valor, mas o uso dessas propriedades: muitas não são a residência principal do dono. Consequentemente, o dado ilustra a concentração de riqueza no topo da pirâmide e se reflete em aquisições repetidas.

Números recordes no segmento de luxo

Assim sendo, nos dez maiores mercados americanos de ultraluxo, os números impressionam:

  • 1.601 casas acima de US$ 10 milhões vendidas no ano passado;
  • US$ 28,6 bilhões movimentados;
  • Alta de 31% no número de transações;
  • Alta de 23% no volume financeiro.

Além disso, existe ainda uma pequena indústria de jornalismo imobiliário dedicada a acompanhar esse universo. Portanto, os dados refletem a aceleração de um mercado que antes era restrito a poucas operações. No entanto, o segmento de luxo caminha em direção oposta ao restante do mercado.

O contraste com o mercado comum

Enquanto isso, o mercado imobiliário dos compradores comuns está menos empolgante. Dessa forma, os EUA registraram 4,7 milhões de vendas de residências no ano passado, o menor número em 14 anos. Além disso, o preço mediano ficou perto de US$ 410 mil no segundo trimestre de 2026.

Valorização desigual entre a ponta mais cara e a mais barata

Por outro lado, o levantamento da Zelman mostra que o terço mais caro supera o terço mais barato em valorização de casas usadas há nove trimestres consecutivos. Ademais, nos últimos três trimestres, os preços da ponta inferior recuaram até 1%. Os juros altos pesam sobre compradores comuns, mas para compradores de mansões são um problema bem menor.

Pagamento com ações e dinheiro vivo

Por exemplo, em Manhattan, cerca de metade das compras residenciais era feita integralmente em dinheiro uma década atrás. Em seguida, nos últimos anos, essa proporção subiu para aproximadamente 65%. Sobretudo, na Bay Area, há relatos de proprietários interessados em receber ações de empresas como Anthropic ou OpenAI como pagamento por imóveis.

Entradas maiores na Bay Area

Consequentemente, quando os juros dispararam em 2023, as entradas dadas pelos compradores aumentaram em diferentes regiões. Contudo, quando os juros voltaram a cair, o tamanho das entradas permaneceu elevado na Bay Area. Portanto, economistas do Realtor.com veem nisso um reflexo do dinheiro e das ações acumulados por profissionais da indústria de IA.

Em síntese, o mercado de luxo americano vive uma crise de oferta, enquanto o segmento mais amplo sofre com a queda nas vendas. Ademais, a diferença de comportamento entre as faixas de preço revela a força dos compradores de alto padrão. Por exemplo, dinheiro em caixa, entradas elevadas e até ações de empresas de tecnologia são sinais dessa nova realidade. No entanto, para os compradores comuns, os juros altos continuam sendo um obstáculo.

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