Greg Abel começou a dar uma resposta a uma das maiores perguntas deixadas pela saída de Warren Buffett do comando da Berkshire Hathaway: o que fazer com a gigantesca pilha de dinheiro acumulada pelo conglomerado. No segundo trimestre, por exemplo, a Berkshire fez um investimento líquido de US$ 19,8 bilhões no mercado de ações. Os números foram divulgados neste sábado (8).
Investimento bilionário em ações
No segundo trimestre, a Berkshire Hathaway fez um investimento líquido de US$ 19,8 bilhões no mercado de ações. Dessa forma, encerrou uma sequência de mais de três anos como vendedora líquida durante o fim da gestão Buffett. Além disso, o movimento marca uma guinada na estratégia do conglomerado, que agora busca aplicar seu caixa em vez de acumulá-lo. Por exemplo, cerca de US$ 10 bilhões desse total foram para a Alphabet, dona do Google. Assim sendo, essa participação colocou a empresa, pela primeira vez, entre as cinco maiores posições acionárias da Berkshire.
As outras quatro maiores posições acionárias ao fim de junho eram American Express, Apple, Bank of America e Coca-Cola. Além disso, a entrada da Alphabet nesse seleto grupo sugere uma diversificação para o setor de tecnologia. Sobretudo, essa é a primeira vez que a Alphabet aparece entre as cinco maiores, o que representa uma novidade histórica. Contudo, historicamente, a Berkshire sempre teve uma alocação mais concentrada em setores tradicionais, como finanças e consumo. Portanto, a nova composição da carteira reflete uma atualização nos investimentos do conglomerado. Ademais, com a recompra de ações também em ritmo acelerado, a gestão de Abel demonstra uma postura mais ativa na alocação de capital.
Recompra de ações acelera
A Berkshire usou US$ 4,5 bilhões para recomprar suas próprias ações no segundo trimestre. Ou seja, o valor exato foi de US$ 4,53 bilhões entre abril e junho, o maior montante trimestral desde 2021. Por outro lado, no primeiro trimestre, a empresa havia gasto apenas US$ 235 milhões em recompras, o que mostra uma aceleração significativa. Consequentemente, essa aceleração é um reflexo da política da companhia. Isto é, a Berkshire recompra ações quando seu CEO, após consultar o presidente do conselho, considera que elas estão sendo negociadas abaixo do valor intrínseco.
A prática de recompra é uma forma de devolver valor aos acionistas, mas também sinaliza confiança na própria empresa. Ademais, o valor aplicado em recompras no segundo trimestre superou em muito o do primeiro, evidenciando uma mudança de postura. Todavia, mesmo com esses gastos, o caixa da Berkshire segue em nível elevado.
Caixa ainda permanece gigantesco
A Berkshire encerrou junho com US$ 359,2 bilhões entre caixa, equivalentes de caixa e títulos de curto prazo do Tesouro americano em suas operações de seguros e outros negócios. Ou seja, esse montante é um dos maiores já registrados pela companhia. No entanto, apesar dos investimentos em ações e das recompras, o caixa continua robusto. Dessa forma, esse colchão financeiro dá margem para novas iniciativas no futuro. Além disso, a saúde financeira do conglomerado também é evidenciada pelo lucro operacional, que avançou 16% no segundo trimestre, para US$ 13 bilhões.
O lucro operacional é a medida preferida da Berkshire para acompanhar o desempenho de seus negócios, pois exclui flutuações de mercado. Dessa forma, esse indicador avançou 16% no segundo trimestre, para US$ 13 bilhões. Consequentemente, a saúde financeira do conglomerado dá sustento a uma gestão mais ativa. Ademais, os resultados financeiros reforçam o momento de mudança na companhia. Em resumo, a combinação de um caixa robusto e lucros crescentes é uma base sólida para a tomada de decisões.
Resultados e a nova era
O lucro líquido da Berkshire mais que dobrou, para US$ 25,7 bilhões no segundo trimestre. Ou seja, esse número foi inflado por US$ 12,7 bilhões em ganhos com investimentos, em grande parte decorrentes da valorização de ações. Todavia, esses ganhos não fazem parte da operação normal da empresa, mas impactam o resultado final. Contudo, o lucro líquido é um indicador amplamente acompanhado por investidores. Assim sendo, a valorização das ações no período ajudou a impulsionar o resultado.
Os primeiros meses de Greg Abel no comando já mostram uma Berkshire mais disposta a colocar seu caixa para trabalhar. Além disso, o investimento bilionário em ações e a aceleração das recompras são exemplos práticos dessa nova postura. Dessa forma, com essas ações, Abel começa a dar uma resposta à pergunta deixada por Buffett sobre o que fazer com a pilha de dinheiro. Ou seja, a nova gestão parece inclinada a usar os recursos de forma mais ativa, em vez de apenas acumulá-los. Em resumo, a mudança de postura é notável em comparação com a gestão anterior.
Fonte
- investnews.com.br
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- segundo trimestre (www.berkshirehathaway.com)
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