O que você precisa saber
O governo vai pagar R$ 258 bilhões a quem tem o Tesouro IPCA+ 2026 na carteira. Além disso, o título vence em 15 de agosto, mas, como o dia cai num sábado, o pagamento será feito na segunda-feira, 17. Sobretudo, é um dos maiores vencimentos de título público já registrado.
Dimensão do vencimento
Do total devido, R$ 13 bilhões, ou 5%, estão nas mãos de pessoas físicas. O vencimento envolve o Tesouro IPCA+ 2026 sem pagamento de juros semestrais, que foi lançado em junho de 2016. Esse papel foi comprado por muitos investidores ao longo dos anos, e agora se aproxima a data de resgate.
Por exemplo, para quem aplicou R$ 10 mil naquele momento e carregou o título até agora, o saldo chega a R$ 29,7 mil, com retorno de 197% — ou 81% descontando a inflação. O ganho anual contratado é de IPCA+6,1%, bem acima da meta usual de fundos de previdência, que tradicionalmente miram IPCA+4%.
A importância da taxa contratada
Por outro lado, quem investiu no mesmo título em agosto de 2020 teve um retorno de IPCA+2%. A diferença entre os dois casos está no momento da compra: quem entrou no lançamento travou 6,1% de juro real. Naquele ano, a Selic estava no menor nível da história, 2% ao ano, e o título pagava IPCA+2% na época.
No entanto, em 2016, a Selic estava em 14,25% ao ano; hoje está em 14% após o corte mais recente da taxa básica. Dessa forma, no Tesouro IPCA+, o que define o resultado é a taxa contratada ao entrar. Como as taxas atuais estão mais altas do que há 10 anos, travar juros reais altos pode fazer diferença relevante no patrimônio para quem planeja segurar até o vencimento.
Risco de reinvestimento
A remuneração desses investimentos acompanha a taxa básica; se a Selic cair, o rendimento também diminui. Ademais, bancos projetam que a taxa caia para 13,75% ao ano antes de uma longa pausa. Consequentemente, quem deixar todo o dinheiro no pós-fixado assume o risco de reinvestimento: a possibilidade de precisar reaplicar os recursos a taxas inferiores no futuro.
Por isso, especialistas indicam alternativas que garantam juros reais mais altos por prazos mais longos. Portanto, a escolha depende do perfil de cada investidor.
Sugestões de alocação da XP
Para investidores conservadores e moderados, a corretora XP prefere a NTN-B Principal 2035, que não está mais disponível no Tesouro Direto e só pode ser comprada no mercado secundário. Na última terça-feira (4), a XP oferecia esse papel a IPCA mais 7,3% ao ano, com aplicação mínima de cerca de R$ 2,5 mil.
Perfis conservador e moderado
- Carteira conservadora: dividir os recursos igualmente entre a NTN-B 2035 e o Tesouro Selic.
- Carteira moderada: 55% na NTN-B 2035, 30% em crédito privado high grade isento e 15% no Tesouro Selic.
Investidor sofisticado
A XP indica 55% no Tesouro IPCA+ 2040, 40% em crédito privado high grade isento e 5% no Tesouro Selic. No Tesouro Direto, o papel de 2040 era negociado a IPCA mais 7,6% ao ano na última terça-feira.
Cuidados com oscilação e ETFs
Oscilação dos preços
Quanto maior o prazo, maior tende a ser a oscilação nos preços. Ou seja, quando as taxas sobem, o preço dos títulos já emitidos cai; quando recuam, sobe. Contudo, quem leva o papel até o vencimento recebe a inflação acumulada mais o juro real contratado, e a oscilação só vira ganho ou perda efetiva em caso de venda antecipada.
ETFs de renda fixa
O investidor pode encontrar alternativas via ETFs de renda fixa para se expor a títulos públicos de médio e longo prazo. Por exemplo, o XB3511, da XP Asset, concentra a carteira em NTN-Bs com vencimento em 2035, reinveste automaticamente os cupons, usa o título com juros semestrais e sua cota permanece sujeita à marcação a mercado, sem uma taxa contratada até determinada data; não replica a NTN-B Principal. O NB1011, da Nu Asset, busca manter títulos com vencimento médio de dez anos; ETFs que seguem o IMA-B 5+, como o PACL11 do BTG Pactual, reúnem NTN-Bs com prazo superior a cinco anos. Todavia, esses fundos facilitam acesso e diversificação, mas não substituem um título individual carregado até o fim, pois não há uma única taxa real travada até o vencimento.
Venda antecipada
Quem quiser assegurar as taxas atuais pode vender o Tesouro IPCA+ 2026 antes do vencimento. Como faltam poucos dias para o pagamento, o desconto na venda antecipada tende a ser pequeno. Assim, investidores que receberão os recursos na próxima segunda-feira já podem planejar a nova alocação, levando em conta as taxas oferecidas no mercado hoje.
Fonte
- investnews.com.br
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- Tesouro IPCA+ 2026 (www.tesourodireto.com.br)
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