O Brasil tem a segunda maior frota de jatos executivos do mundo, com 1.140 aeronaves, atrás apenas dos Estados Unidos, que soma 15.900. Esse cenário, portanto, impulsiona um mercado que vai muito além da compra e venda de aviões. Ademais, empresas de diferentes portes disputam receitas com hangares, abastecimento, manutenção, fretamento, gestão de aeronaves, terminais exclusivos e programas de propriedade compartilhada.
Brasil é o segundo maior mercado de jatos executivos
A aviação executiva brasileira vive um momento de expansão. Assim sendo, de acordo com os dados mais recentes, o país possui 1.140 jatos executivos, o que o coloca na segunda posição no ranking mundial, atrás somente dos Estados Unidos, com 15.900.
Falta de espaço nos aeroportos valoriza a infraestrutura
Esse protagonismo, contudo, esbarra em um gargalo: a falta de espaço nos principais aeroportos, que acaba por valorizar infraestruturas dedicadas a esse público.
Segundo Paul Malicki, CEO da Flapper, aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba já enfrentam escassez de espaço para novos hangares. A consequência, portanto, é um custo elevado para quem precisa guardar uma aeronave. Por exemplo, em Congonhas ou no Galeão, o hangar pode custar cerca de R$ 90 mil por mês; em Pampulha ou Campo de Marte, o valor fica em torno de R$ 30 mil. Dessa forma, com essa demanda reprimida, grupos investem em alternativas.
Vídeo: YouTube | Fonte: investnews.com.br
Infraestrutura de luxo atrai celebridades e bancos
Aeroporto São Paulo Catarina: expansão e lucro
Um exemplo é o aeroporto São Paulo Catarina, do grupo JHSF, localizado em São Roque, a cerca de 60 km da capital paulista. O empreendimento, por exemplo, já recebeu Elon Musk, Neymar e o cineasta Francis Ford Coppola. Além disso, em apenas sete anos, concluiu sua sexta expansão e registrou lucro de R$ 143 milhões em 2025. Dessa forma, o movimento reforça a tese de que a infraestrutura dedicada à aviação executiva se tornou um negócio lucrativo.
BTG Pactual abre terminal exclusivo em Guarulhos
Assim sendo, o BTG Pactual inaugurou, no fim de 2024, um terminal para passageiros de alta renda dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos. O espaço, por exemplo, permite realizar check-in, despacho de bagagens, inspeção de segurança, imigração e alfândega sem passar pelos terminais convencionais. Além disso, parte dos clientes chega ao aeroporto em aeronaves privadas e segue viagem em voos internacionais de primeira classe ou classe executiva. Dessa forma, o banco ganha dinheiro com taxas de acesso e também usa o terminal como instrumento de relacionamento com clientes.
Manter um jato é caro; alternativas crescem
Para a maioria das pessoas, a compra de um jato executivo é inviável. Por exemplo, um dono de aeronave pode gastar de R$ 150 mil a R$ 400 mil por mês com hangar, tripulação, manutenção, seguros e documentação. Ademais, as despesas continuam existindo mesmo quando o avião permanece parado.
Propriedade compartilhada reduz custos
Portanto, foi pensando nesse cenário que empresas como a Flapper, nascida em 2016 como uma plataforma de fretamento, frequentemente comparada a um “Uber dos jatos e helicópteros”, passaram a oferecer novas modalidades.
Nos últimos anos, a Flapper adquiriu uma frota própria e passou a oferecer também propriedade compartilhada. Nesse modelo, por exemplo, empresas como Avantto, Prime You, Amaro Aviation e a própria Flapper dividem as aeronaves em cotas. Ou seja, o cliente compra uma fração, paga uma taxa mensal e tem direito a horas de voo.
- O voo compartilhado mais barato custa aproximadamente R$ 3 mil por passageiro.
- O ticket médio de um fretamento completo chega a R$ 82 mil.
Para o cliente, portanto, a propriedade compartilhada reduz o capital necessário para entrar na aviação executiva e divide os custos fixos entre diferentes proprietários. Por outro lado, para as empresas, gera contratos mais longos e receitas mais previsíveis.
Serviços complementares para proprietários
Além disso, companhias como Líder Aviação e Voar Aviation oferecem serviços como contratação de tripulações, manutenção, documentação, hangar e intermediação de compra e venda de aeronaves. Ou seja, é possível participar desse mercado sem necessariamente adquirir um avião inteiro.
Quem são os donos de jatos no Brasil?
Mas afinal, quem são os donos de jatos executivos no Brasil? Para parte dos empresários, por exemplo, o avião é uma ferramenta para visitar diferentes operações e reduzir o tempo gasto em deslocamentos. Ademais, segundo a Altrata, a maioria dos proprietários utiliza as aeronaves principalmente em viagens de trabalho.
Maeen Shaban, diretor de pesquisa e análise de dados da Altrata, destaca que o Brasil é um ponto fora da curva. Por exemplo, países com população de alta renda maior, como China, Alemanha e Reino Unido, ficam atrás do Brasil em propriedade de jatos. Dessa forma, a dimensão territorial e a presença de operações econômicas em áreas pouco atendidas pela aviação comercial ajudam a explicar essa diferença.
Perfil dos proprietários
Apesar da exposição de artistas e influenciadores nas redes sociais, a propriedade de jatos continua concentrada em empresários mais velhos, famílias controladoras de grandes grupos e pessoas com patrimônio muito elevado.
Novos negócios no setor
O mercado, contudo, se diversifica: enquanto grupos maiores investem em infraestrutura, outras empresas tentam ampliar o acesso para a contratação de voos e reduzir os custos de manter um avião.
Com a segunda maior frota do mundo e a demanda por infraestrutura em alta, a tendência é que novos negócios continuem surgindo para atender a esse público de alta renda. Portanto, a aviação executiva no Brasil deixou de ser um nicho restrito à compra de aeronaves e se consolidou como um ecossistema de serviços.
Fonte
- investnews.com.br
- SIGA NO GOOGLE (profile.google.com)
- uma parte do negócio (spcatarinaaeroporto.com.br)
- Spotify (open.spotify.com)
- Apple Podcasts (podcasts.apple.com)
