Flávio Bolsonaro freia queda e polariza com Lula
Em resumo: O Radar das Eleições aponta que Flávio Bolsonaro estancou a queda e mantém Lula competitivo. Além disso, a terceira via ainda não apresenta tração, com nomes como Caiado e Zema citados como improváveis. Sobretudo, São Paulo deve ser decisivo, com cenário-base de segundo turno.
No Radar das Eleições, analistas avaliaram o cenário político a poucos meses da disputa presidencial. Por exemplo, para o economista Matheus Spiess, da Empiricus, a candidatura de Flávio Bolsonaro interrompeu a perda de apoio e voltou a ganhar força, mesmo com crises recentes.
Assim, o senador aparece novamente como oponente principal do ex-presidente Lula, enquanto candidaturas alternativas ainda não decolam. Com a palavra dos especialistas, o programa trouxe um retrato da disputa que começa a se desenhar.
Senador interrompe perda de apoio
Segundo Spiess, na ausência de uma crise nova, o senador consegue estancar a sangria e voltar a ganhar um pouco de tração. No entanto, isso não significa que os problemas da campanha estejam resolvidos.
Ademais, o analista destacou que a elevada rejeição de Lula contribui para manter o adversário competitivo. Gustavo Porto, debatedor do programa, reforçou que Flávio Bolsonaro permaneceu no centro do noticiário durante toda a pré-campanha, reproduzindo fenômeno semelhante ao vivido por Jair Bolsonaro em 2022.
Ele observou que o senador nunca saiu do noticiário e que seu pai quase foi reeleito presidente da República diante de muita notícia negativa. Assim, a atenção da mídia parece não ter corroído o apoio ao político.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.moneytimes.com.br
Rejeição de Lula e desgaste natural
Na avaliação de Spiess, a principal dificuldade enfrentada por Lula decorre de um desgaste natural após décadas ocupando posição central na política brasileira. Ainda assim, ele aponta que a rejeição ao ex-presidente é um fator que mantém o cenário competitivo.
Assim, o desgaste de Lula, combinado à alta rejeição, evidencia uma disputa em que nenhum dos lados tem margem consolidada. Lulismo e bolsonarismo, segundo ele, perderam força ao longo dos anos, mas ainda preservam bases eleitorais suficientemente sólidas. Consequentemente, essa solidez dificulta o avanço de candidaturas alternativas. O programa também indicou que o ambiente é de polarização, com dois nomes dominando a disputa.
Terceira via sem tração
Spiess afirmou considerar possível, mas pouco provável, uma mudança no quadro eleitoral com nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) como terceira via competitiva. Portanto, para ele, o cenário-base continua sendo um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O analista reforçou que, apesar do enfraquecimento das duas forças políticas, as bases ainda são sólidas. Isso impede, na prática, que candidatos de outros partidos ganhem tração suficiente. Os nomes citados, porém, não devem alcançar a exibição necessária para reverter a polarização. Dessa forma, a polarização deve persistir até o fim da campanha.
São Paulo como campo decisivo
O programa destacou que São Paulo tende a desempenhar papel decisivo na definição da eleição presidencial, repetindo o protagonismo observado em 2022. Gustavo Porto afirmou que Lula concentrou muito esforço no estado para manter essa mobilização, pois é o maior colégio eleitoral do país.
Spiess concordou com a avaliação e acrescentou que o eleitor moderado paulista deverá ser um dos principais alvos da campanha de Flávio Bolsonaro. Ou seja, para ele, conquistar esse perfil de eleitor é fundamental para uma vitória no pleito.
A estratégia do senador, segundo os debatedores, tem sido suavizar a própria imagem para dialogar com o centro, especialmente o público feminino, sem perder o apoio da base bolsonarista. O eleitor paulista, nesse sentido, emerge como um fiel da balança no pleito.
Estratégia de imagem e coalizão
Dificuldades para formar coligação
Outro ponto discutido foi a incapacidade de Flávio Bolsonaro de formar uma ampla coligação de centro-direita, apesar de aparecer competitivo nas pesquisas. A neutralidade de partidos como União Progressista e Republicanos retirou da campanha nomes considerados fortes para a vice-presidência, como Tereza Cristina e Daniella Marques.
Além disso, reduziu significativamente o tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Contudo, Spiess afirmou considerar ‘estranho’ que uma candidatura competitiva ainda não tenha conseguido atrair o apoio das principais legendas do Centrão.
Impacto na propaganda eleitoral
Ele levantou a hipótese de que esses partidos prefiram preservar espaço político no Congresso, independentemente do resultado presidencial. Portanto, esse cenário pode limitar o alcance da campanha do senador.
Mercado fiscal
Spiess afirmou que o mercado antecipou muito esse debate e que o principal canal de transmissão continua sendo a percepção fiscal. Segundo ele, investidores aguardam propostas concretas de ajuste das contas públicas por parte dos candidatos.
No entanto, o analista não detalhou quais seriam essas propostas, mas ressaltou a importância do tema na corrida eleitoral. A expectativa é de que os postulantes apresentem planos consistentes para a trajetória da dívida pública. Assim, a questão econômica deve permear as próximas fases da campanha. O Radar das Eleições acompanhará os próximos desdobramentos da corrida.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
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