BTG muda projeção para Selic e prevê mais cortes em 2026
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O BTG Pactual revisou sua expectativa para a política monetária brasileira e passou a projetar uma Selic de 13,75% ao fim de 2026, após incorporar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual neste segundo semestre. A mudança representa uma guinada em relação ao cenário traçado pelo banco no mês passado. Antes, a equipe econômica esperava que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompesse o ciclo de flexibilização após levar a taxa para 14,25%, mantendo os juros nesse patamar até o fim do ano.

O que motivou a revisão

Segundo o relatório macroeconômico de julho, a combinação de um ambiente externo menos pressionado pela alta do petróleo e de uma atividade doméstica perdendo força abriu espaço para uma retomada dos cortes, ainda que em ritmo gradual. “O balanço de riscos para a inflação melhorou marginalmente”, afirmam os economistas do banco. A avaliação do banco também considera que a recente queda dos preços do petróleo, após a redução das tensões no Oriente Médio, diminuiu a pressão sobre a inflação global e brasileira, oferecendo um pequeno alívio para o Banco Central.

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Dólar e contas públicas

A revisão da Selic veio acompanhada de outras alterações relevantes para o cenário brasileiro. O BTG elevou a projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40, refletindo a expectativa de fortalecimento da moeda americana diante da perspectiva de um Federal Reserve mais duro e da possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos. O banco também piorou sua visão para as contas públicas. A estimativa para a dívida bruta passou para 81,6% do PIB em 2026 e 85,8% do PIB em 2027, incorporando um câmbio mais depreciado e um cenário fiscal menos favorável.

Atividade econômica

Para a atividade econômica, o BTG manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,0% neste ano, mas reduziu a expectativa para 2027, de 1,3% para 1,1%, diante dos efeitos dos juros ainda elevados e da perspectiva de menor impulso fiscal. Apesar das mudanças na Selic e no câmbio, o banco optou por manter algumas das principais projeções macroeconômicas.

Inflação e comércio exterior

A estimativa para o IPCA permaneceu em 5,3% em 2026 e 4,5% em 2027, mesmo com o alívio proporcionado pela queda do petróleo. O BTG também manteve a previsão de superávit comercial de US$ 85 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027, sustentado principalmente pelo desempenho das exportações de petróleo, apesar da expectativa de preços menores para algumas commodities.

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