O setor elétrico brasileiro vive um movimento de ampliação da presença feminina em seus postos de comando. Oito das principais entidades do setor são presididas por mulheres, totalizando 12 postos de liderança. Esse avanço é impulsionado por iniciativas como o movimento “Sim, Elas Existem”, que desde 2018 promove listas de mulheres qualificadas para cargos públicos.
Mulheres no comando de entidades
Entre as lideranças que ocupam posições de destaque estão Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica, e Patrícia Audi, que preside a Abradee. Elbia Gannoum liderou a Abeeólica por 15 anos e também comandou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCE). Patrícia Audi está no cargo há três meses e acumula experiência em liderança no Santander, INSS, CGU e OIT. Talita Porto está à frente da associação desde fevereiro e destaca que as mulheres ocuparam postos e acumularam experiência na área regulatória. No órgão regulador, Agnes Costa é diretora da Aneel e uma das idealizadoras da iniciativa “Sim, Elas Existem”.
Movimento “Sim, Elas Existem”
Criado em 2018, o movimento “Sim, Elas Existem” tem como objetivo dar visibilidade a mulheres qualificadas para cargos públicos. Neste ano, o grupo vai entregar sua terceira lista aos presidenciáveis. A iniciativa busca ampliar a participação feminina em postos de decisão, especialmente no setor elétrico, onde a presença ainda é minoritária.
Redes de apoio e qualificação
Além do movimento, grupos como “Mulheres de Energia” reúnem mais de 100 mulheres do setor elétrico, enquanto “Mulheres do Biogás” conta com mais de 300 profissionais. Essas redes promovem troca de experiências e capacitação, fortalecendo a atuação feminina no segmento.
Desafios e demandas do setor
O setor elétrico enfrenta grandes desafios de investimento. O segmento de linhas de transmissão demandará mais R$ 148 bilhões na próxima década, e foram feitos investimentos da ordem de R$ 90 bilhões desde 2023 por meio de leilões. Patrícia Audi afirma que o setor de energia demanda um perfil executivo com trânsito no Congresso Nacional, poder público e foco em inovação. A presença feminina no alto comando contribui para atender a essas demandas com uma visão diversificada.
A trajetória de Elbia Gannoum ilustra essa experiência: ela trabalhou com a ex-presidente Dilma Rousseff quando esta era ministra de Minas e Energia. A combinação de qualificação técnica e vivência em cargos de liderança torna as mulheres aptas a ocupar posições estratégicas no setor elétrico.
