O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o fim da escala de trabalho 6×1 é um “caminho sem volta” para a economia brasileira. A declaração foi dada em entrevista nesta semana, na qual o ministro também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não ter encaminhado a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do assunto. Marinho, braço direito e aliado de longa data do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que a nova jornada já se consolida como uma realidade do mercado.
Marinho defende mudança como inevitável
Para o ministro, a redução da jornada de trabalho é um movimento sem retorno. “Acredito que o fim da escala 6×1 é um caminho sem volta para a economia brasileira”, afirmou. Ele destacou que entidades empresariais já vêm falando de forma envergonhada sobre o tema, sinalizando uma aceitação gradual da mudança. Marinho também ressaltou que o governo não vai criar problemas para a economia. “O governo jamais vai criar problema para a economia”, disse, tentando tranquilizar setores que temem impactos negativos.
Críticas a Alcolumbre e impasse no Senado
O ministro admitiu um cenário espinhoso para o governo no Senado, onde a PEC está parada. “Até agora o presidente Alcolumbre não encaminhou a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça [CCJ] e as coisas estão truncadas”, declarou. Segundo Marinho, o presidente do Senado está “sentando em cima” da proposta, o que tem travado o avanço da matéria. Ele afirmou que a PEC deve ficar para depois do recesso parlamentar, indicando que não há expectativa de votação imediata.
Diálogo com empresários e trabalhadores
Marinho não acredita ser necessário regulamentar casos específicos de categorias de trabalhadores, mas se mostrou aberto ao diálogo. “Eu topo fazer mesas de conversa com empresários e trabalhadores”, afirmou. Ele destacou que há um processo estressado na relação de trabalho no Brasil. “O mercado de trabalho vem se estressando, o nível de rotatividade é escandaloso”, disse, apontando para a necessidade de mudanças estruturais.
Resistência histórica a conquistas trabalhistas
O ministro comparou a resistência atual à redução da jornada com outras conquistas históricas dos trabalhadores. “Em todo momento que pinta uma possibilidade de conquista para a classe trabalhadora, não só essa, qualquer conquista de direito, tem uma grita dizendo que o mundo vai acabar”, afirmou. Ele exemplificou com a redução para 40 horas semanais: “Quando reduzir para as 40h, elas [empresas] acham que vão ser lesadas pela jornada menor. Mas é só fazer uma negociação pelas horas adicionais.” A declaração reforça a visão do ministro de que o temor empresarial é infundado e que a negociação pode resolver impasses.
