O Google for Startups Pop Up agitou a cena mineira de inovação ao reunir empreendedores, desenvolvedores e especialistas em inteligência artificial. O evento, realizado em Belo Horizonte, destacou soluções práticas de IA generativa e agentes de IA para aumentar a produtividade. A programação contou com palestras de executivos do Google e de startups locais.

IA generativa e seus limites

Durante o evento, foi discutido que a possibilidade do que a IA generativa consegue criar é limitada ao contexto que ela tem. Um exemplo citado foi que o financeiro vai conseguir produzir o relatório dele, mas não vai conseguir perguntar qual é o salário do amiguinho que está lá no RH. A afirmação ressalta a importância de definir corretamente os dados de treinamento e o escopo de uso.

Essa limitação contextual é um dos principais desafios para empresas que desejam adotar a tecnologia. A discussão seguiu com exemplos práticos de como contornar essas barreiras.

Case Tembici e aprendizado prático

O executivo citou o caso da Tembici, atendida pela Gentrop em um programa que somou 11 sessões, 194 participantes e 454 colaboradores impactados. O segredo, segundo ele, não é ter a melhor tecnologia. É criar as condições para que as pessoas experimentem, aprendam e construam soluções com ela. A abordagem focada em capacitação mostrou resultados expressivos.

A experiência da Tembici serviu de exemplo para outras empresas que buscam integrar IA em seus processos. A transição para o próximo tópico abordou as particularidades do sistema jurídico brasileiro.

Desafios jurídicos e modelos fundacionais

Um dos palestrantes destacou que é normal que uma decisão da Suprema Corte brasileira tenha 200 páginas, enquanto uma decisão da Suprema Corte americana tem 4 páginas. A diferença de volume documental impõe desafios únicos para soluções de IA no Brasil. Ele brincou: “Nós somos o ambiente perfeito para derreter as TPUs do Google.”

No Brasil, não temos capacidade de brincar de fazer modelos fundacionais, afirmou. A solução, portanto, é focar em aplicações específicas, como a MinutaIA.

MinutaIA e a estratégia de não competir com big techs

Utilizada por mais de 100 procuradorias e mais de 10 tribunais, a MinutaIA serviu de exemplo para o principal conselho de Caio a outros empreendedores: Não competir no core dos produtos com as big techs. A ferramenta demonstra como é possível criar valor sem tentar replicar modelos de grandes empresas.

Caio também argumentou que o próximo desafio era impedir que a intervenção humana seja um gargalo nesse tipo de solução, aproveitando os chamados agentes de IA. Ele alertou: “Se você está trabalhando com agentes de IA e está escrevendo o prompt, você está errado.”

Agentes de IA e produtividade

Fernando Batagin Júnior, customer engineer do Google, apresentou os produtos da empresa articulados pelo Gemini Enterprise. Uma dessas soluções é a Agent Platform, ambiente que permite construir, executar, escalar, governar e otimizar agentes. Em entrevista ao Startups, ele reforçou como esses agentes podem justamente melhorar a produtividade em soluções pessoais ou corporativas.

“Quando falamos de agente, falamos muito de produtividade. Eu, particularmente, não acredito que agente substitua o ser humano. É o ser humano ainda no comando, mas com muito mais produtividade”, afirmou Batagin. O engenheiro destacou ainda a importância de ter uma infraestrutura confiável e escalável como o Google para o uso de agentes. “Não adianta você fazer um agente de sucesso se, quando o seu volume aumenta, o seu agente não acompanha”, concluiu.

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