Operação do MPDFT mira PicPay e BRB por descontos indevidos em contracheques

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou uma operação nesta quarta-feira (data não informada) contra o PicPay, o Banco de Brasília (BRB) e outras entidades. A suspeita é de que contratos antigos de crédito consignado tenham sido usados para gerar descontos indevidos nos contracheques de servidores públicos, beneficiando empresas privadas, associações e até agentes públicos.

Esquema de descontos em folha

A investigação apura um sistema no qual o servidor contratava crédito — como empréstimo consignado ou antecipação salarial — com pagamento automático via desconto direto no contracheque. O MPDFT aponta que parte das cobranças pode ter incluído taxas administrativas ou estruturas contratuais pouco transparentes, dificultando o entendimento do valor real pago pelo servidor. A suspeita é de que contratos antigos e regras de consignação tenham sustentado esse modelo, com possíveis irregularidades na aplicação dos descontos.

BRB como peça central

O BRB é peça central por ser o banco responsável pela gestão da folha de pagamento de servidores do Distrito Federal e por atuar como intermediário em operações financeiras vinculadas ao funcionalismo público. A operação cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), Curitiba (PR) e São Paulo (SP). Os alvos incluem a Secretaria de Economia do DF, associações de servidores e pessoas físicas, entre elas o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso desde abril sob suspeita de facilitar negócios sem lastro entre o BRB e o Banco Master.

PicPay na mira da CPMI

O CEO do PicPay, Eduardo Chedid Simões, está entre as 216 pessoas investigadas pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS. Em nota, o PicPay afirmou que “o valor antecipado era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação realizada no aplicativo, sem intermediários ou associações, e sem cobrança nessa modalidade”. A empresa reforçou que mantém governança alinhada a padrões regulatórios e que seguirá colaborando com as autoridades.

Posicionamento do BRB

O Banco de Brasília (BRB) informou que não possui contrato com o PicPay. O banco disse que segue colaborando com as autoridades para esclarecimentos e apuração de irregularidades. A fonte não detalhou se o BRB já foi notificado formalmente sobre a operação.

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