Taxas de DIs fecham em alta após Copom deixar porta aberta para cortes
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As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta nesta quinta-feira (18), estendendo os ganhos da véspera. O movimento ocorreu após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizar a rolagem do horizonte relevante para a convergência da inflação à meta. Um dia antes, o BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e manteve a porta aberta para novos cortes.

DIs de curto prazo recuam, longos avançam

Na ponta curta da curva, a taxa de DI para janeiro de 2027 fechou com recuo de 8 pontos-base, a 14,235%, ante 14,320% do fechamento anterior. Já os vencimentos intermediários e longos registraram alta. A taxa de DI para janeiro de 2029 encerrou as negociações em 14,765%, ante 14,685% do fechamento anterior, alta de 8 pontos-base. A DI para janeiro de 2036 subiu quase 12 pontos-base e terminou o dia a 14,465%, ante 14,350% do fechamento da última quarta-feira (17).

Segundo analistas, a leitura de um Copom mais ‘dovish’ favorece o recuo das taxas de DIs de curto prazo. Por outro lado, os juros futuros intermediários e longos avançaram até 30 pontos-base nas primeiras horas de negociações com a ‘rolagem’ do horizonte relevante do BC para o primeiro trimestre de 2028, já na próxima decisão, em agosto.

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Copom corta Selic e sinaliza novos cortes

Ontem (17), o Copom cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do BC, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão foi unânime. O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o ‘ajuste total’ do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

O comunicado manteve a ‘porta aberta’ para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo, na visão de economistas. Para o Goldman Sachs, o documento revela um descompasso entre a flexibilização da política monetária e a piora das projeções de inflação no horizonte relevante.

Rolagem do horizonte relevante é destaque

O principal ponto de atenção do mercado foi a sinalização antecipada da chamada ‘rolagem’ do horizonte relevante da política monetária na próxima decisão do Copom. Na prática, o BC ‘adiou’ o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto.

A curva a termo brasileira também refletiu a postura mais conservadora do Federal Reserve. O Fomc do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime. O gráfico de pontos (dot plot) apontou para uma alta de 25 pontos-base dos juros até dezembro.

Treasuries sem direção única

No mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os yields fecharam sem direção única, reagindo à postura mais ‘hawkish’ do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, e à expectativa de novas altas nos juros no segundo semestre deste ano. O yield do Treasury de dois anos terminou a 4,179%, ante 4,163% do ajuste anterior. O retorno do título de dez anos caiu para 4,455%, de 4,463% de ontem.

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