O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, registrou leve alta no pregão desta quarta-feira, 7 de maio, mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Apesar do corte, o índice fechou com baixa de 0,84%, a US$ 34,12, em um dia negativo para os mercados acionários globais.

Corte da Selic e terceira flexibilização

O Copom anunciou a terceira redução consecutiva da Selic, que passou de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, faz parte de um ciclo de flexibilização monetária iniciado nas reuniões anteriores. No entanto, o comunicado do comitê trouxe ajustes nas projeções de inflação e sinalizou uma trajetória alternativa para a taxa básica de juros.

A projeção para o IPCA em 2026 subiu de 4,6% para 5,2%, enquanto a estimativa para o quarto trimestre de 2027 avançou de 3,5% para 3,7%. O Copom passou a trabalhar com uma trajetória alternativa para a Selic que garante a convergência da inflação ao centro da meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. Essas revisões indicam um cenário inflacionário mais pressionado, o que pode limitar novos cortes.

Mercados acionários em queda

O EWZ, que reflete o desempenho das empresas brasileiras listadas na B3, encerrou o dia com desvalorização de 0,84%, cotado a US$ 34,12. O movimento ocorreu em linha com o Ibovespa, que terminou as negociações com queda de 0,70%, aos 168.453,93 pontos. O índice local foi pressionado pelo cenário externo adverso e pela alta do dólar.

O dólar à vista fechou a R$ 5,1077, com alta de 0,41%, refletindo a aversão ao risco global e as incertezas sobre a política monetária nos Estados Unidos. A moeda americana se fortaleceu após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros inalterados.

Fed mantém juros e sinaliza alta

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quarta vez consecutiva, em decisão unânime. Essa foi a primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, que substituiu Jerome Powell na presidência do Fed. O comunicado da autoridade monetária excluiu o forward guidance, retirando o trecho sobre avaliar a magnitude e o momento de ajustes adicionais na taxa.

Kevin Warsh indicou que o BC americano poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado. O dot plot, gráfico de projeções dos membros do Fomc, apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro. Além disso, as estimativas para a inflação medida pelo PCE em 2026 foram elevadas de 2,7% para 3,6%, sinalizando pressões inflacionárias persistentes.

Wall Street fecha no vermelho

Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão em baixa. O Dow Jones recuou 0,98%, aos 51.492,55 pontos. O S&P 500 teve baixa de 1,21%, aos 7.420,10 pontos. O Nasdaq, com forte concentração em tecnologia, encerrou com recuo de 1,35%, aos 26.021,656 pontos. O movimento foi influenciado pela perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos.

A combinação de corte da Selic no Brasil e sinalização de aperto monetário nos EUA criou um ambiente misto para os ativos brasileiros. O EWZ, apesar de ter registrado leve alta em alguns momentos do dia, não conseguiu sustentar o ganho e fechou no vermelho, acompanhando o humor negativo dos mercados globais.

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