Queda nas taxas DI pelo quarto dia consecutivo

As taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) caíram pelo quarto dia seguido, impulsionadas pelo alívio nas tensões geopolíticas e pela piora das projeções econômicas domésticas. A curva de juros voltou a precificar chance de corte na Selic na próxima decisão do Copom, marcada para quarta-feira (17).

Detalhamento das taxas

A taxa de DI para janeiro de 2027 caiu 12 pontos-base, fechando a 14,240% (ante 14,360% do fechamento anterior). A taxa para janeiro de 2029 recuou quase 13 pontos-base, para 14,330% (ante 14,455%). Já a DI para janeiro de 2036 caiu 4 pontos-base, encerrando a 14,155% (ante 14,195% da última sexta-feira).

Alívio geopolítico impulsiona Treasuries

O movimento de queda nas taxas brasileiras acompanhou o desempenho dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries), que também fecharam em queda. O yield do Treasury de dois anos terminou a 4,070% (ante 4,085%), enquanto o retorno do título de dez anos caiu para 4,473% (de 4,485%). O alívio na curva foi influenciado pela melhora do sentimento dos investidores após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã.

Acordo entre EUA e Irã reduz riscos

Segundo a Reuters, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento nesta segunda-feira. A cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na próxima sexta-feira (19). O documento foi assinado pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf. Com o acordo, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz deve aumentar significativamente, mas de maneira gradual, após a cerimônia de assinatura.

Petróleo e apetite a risco

O alívio nas tensões geopolíticas derrubou os preços do petróleo e aumentou o apetite a risco dos investidores, reduzindo o temor de choques inflacionários. Esse cenário contribuiu para a queda nas taxas de juros futuras e para a precificação de um possível corte na Selic.

Projeções para a Selic pioram

Apesar do movimento de queda nas taxas, as projeções de economistas para a Selic nos próximos anos pioraram. A projeção para 2026 passou de 13,50% para 13,75%. Para 2027, a estimativa avançou de 11,50% para 12,00%. Já a projeção para 2028 subiu de 10,00% para 10,25%. A projeção para 2029 foi mantida em 10%.

Com a curva de juros novamente precificando um corte na Selic, o mercado aguarda a decisão do Copom na quarta-feira (17) para confirmar se a tendência se concretizará.

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