A nova gestão da Braskem deve apresentar nos próximos dias uma proposta formal aos credores, que inclui um standstill de 90 dias como passo inicial para uma recuperação extrajudicial. A medida ocorre em meio a um cenário de endividamento elevado: a dívida bruta corporativa encerrou o primeiro trimestre em US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), com alavancagem de 16,8 vezes o Ebitda recorrente. Considerando a subsidiária mexicana Braskem Idesa, o passivo consolidado do grupo chega a cerca de US$ 12 bilhões.
Vencimentos iminentes e falta de caixa
Em julho, a Braskem enfrenta o início de uma série de vencimentos de juros sobre títulos emitidos no exterior, totalizando cerca de US$ 150 milhões. A companhia não tem condições de honrar esse montante no formato atual, o que torna urgente a renegociação com os credores. A proposta de standstill de 90 dias visa dar fôlego para que a empresa estruture um plano mais amplo de reestruturação.
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Nova diretoria e ferramenta central
Na nova diretoria da Braskem, a ferramenta central será o fluxo de caixa de 13 semanas, que projeta as entradas e saídas de recursos no horizonte de aproximadamente 100 dias. É com base nesse fluxo que a nova diretoria vai calibrar o que a companhia consegue pagar e o que precisa ser renegociado. O plano de Petrobras e IG4 não busca uma solução radical, mas uma reestruturação ampla — financeira, operacional, comercial e de supply chain.
Reestruturação da subsidiária mexicana
A Braskem Idesa já está em default após deixar de pagar juros de seus bônus em novembro de 2025 e fevereiro de 2026. A subsidiária negocia com credores uma reorganização via Chapter 11 nos Estados Unidos. A Braskem mantém com a Braskem Idesa um contrato de suporte financeiro, e as duas reestruturações precisam caminhar juntas. Um eventual evento de inadimplência na Idesa pode acionar obrigações adicionais para a matriz brasileira.
Novos executivos e planos de desinvestimento
Helcio Tokeshi, sócio da IG4 e ex-CEO da operadora portuária CLI, foi confirmado na presidência executiva. Carlos Brandão, ex-CEO da Iguá Saneamento e ex-CFO da Oi durante sua recuperação judicial, comanda as finanças. Luiz Rossato passa a liderar a área de transformação e M&A. Terminais portuários e unidades de geração de energia e tratamento de resíduos deverão ser vendidos. Camilla Tapias, ex-vice-presidente de assuntos corporativos da Telefônica Brasil, responde pelo jurídico e pelas áreas de relações institucionais e de governança. A presidência do conselho segue com Magda Chambriard, CEO da Petrobras.
Fonte
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