Fundos de crédito privado perdem R$ 19 bi em maio, mas resgates desaceleram
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A sangria em fundos de crédito privado continuou em maio. No total, foram R$ 19 bilhões resgatados no mês, segundo dados da Anbima. De oito categorias que alocam recursos em títulos de empresas, sete apresentaram saídas líquidas. Apesar do volume expressivo, os resgates começam a dar sinais de desaceleração.

Resgates somam R$ 19 bilhões em maio

Em uma das principais categorias de crédito da Anbima, a de fundos com papéis com “Duração Livre”, houve um resgate líquido de R$ 6 bilhões em maio. Já a categoria de fundos com “Duração Livre Grau de Investimento”, mais conservadora, registrou saídas de R$ 5,7 bilhões. Somadas, as duas categorias tiveram saídas de R$ 11,7 bilhões no mês.

Esse valor representa uma queda da ordem de 50% frente aos R$ 23,5 bilhões que deixaram os portfólios das duas categorias em abril. “Apesar da volatilidade recente, os fundos de crédito privado agora passam por uma acomodação dos fluxos”, disse o diretor da Anbima Pedro Rudge.

Crise de crédito e recuperações judiciais

A saída de recursos vem a reboque de uma série de pedidos de recuperações extrajudiciais e judiciais, além de sinais de reestruturação de dívidas. A sequência começou ainda em outubro de 2025, com as recuperações judiciais de Ambipar e Unigel. Depois, seguiu em 2026, com Raízen, GPA, Grupo Toky (dono da Mobly e da Tok&Stok), Oncoclínicas, Kora Saúde, Braskem e outras companhias.

As crises, especialmente de Raízen e Braskem, causaram grandes perdas a investidores que tinham papéis nas carteiras, distribuídas por grandes plataformas como XP e BTG Pactual.

Guerra e inflação pressionam mercado

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da prolongada Guerra do Irã e da consequente escalada da inflação global, diante da subida de preços de energia e de diversas commodities. Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

O movimento de subida das taxas ocorre como efeito da perspectiva de que o ciclo de cortes da taxa Selic pode ser pausado bem antes do que inicialmente esperado. Começa a se consolidar no mercado uma visão de que a taxa básica vai ficar mais perto de 14% ao ano no fim de 2026. O relatório Focus, do Banco Central, mostra que a mediana do mercado já coloca a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026 – ante uma taxa atual de 14,50% ao ano.

Retorno dos fundos e perspectivas

A categoria Duração Livre Crédito Livre alcançou 0,91% em retorno em maio ante 0,49% no mês anterior (abril). Ainda assim ficou abaixo do CDI de 1,073%. Na visão do CEO da Sparta, Ulisses Nehmi, os elevados níveis de caixa mantidos pelos fundos de crédito têm ajudado a sustentar o mercado mesmo em um cenário de resgates líquidos.

Na carta mensal da gestora, o especialista ressaltou que a menor necessidade de venda de ativos reduz a pressão sobre os preços e ajuda a explicar a estabilidade observada nos “spreads” de crédito. Com a desaceleração dos resgates e a manutenção de caixa, o mercado de crédito privado busca se ajustar a um ambiente de maior cautela.

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