A proposta de permitir o envase fracionado de botijões de gás de cozinha (GLP) no Brasil divide opiniões. De um lado, o Ministério de Minas e Energia enviou um duro ofício à Agência Nacional do Petróleo (ANP) criticando a pauta. Do outro, a startup PayGas, criada na França pela brasileira Natália Giampietri e pelo francês Philippe Hoeblich, defende a mudança e promete investir R$ 1 bilhão no país. A empresa já opera na África do Sul e vê no Brasil um mercado promissor para reduzir o preço do gás para a população de baixa renda.
O que é a PayGas e como funciona
A PayGas foi fundada em 2019 na França por Natália Giampietri e Philippe Hoeblich. A empresa atua com estações de recarga de botijões em supermercados, modelo já implementado na Cidade do Cabo, na África do Sul. A proposta é que o consumidor possa recarregar apenas a quantidade necessária de gás, pagando por quilo, em vez de trocar o botijão inteiro. Segundo Giampietri, o mercado da PayGas é voltado para pessoas de baixa renda, motivo pelo qual o foco inicial foi o continente africano.
Investimento bilionário no Brasil
Giampietri afirma que a PayGas tem capacidade de investir R$ 100 milhões por ano para instalar 200 estações de recarga de botijão. O plano é alocar R$ 1 bilhão no País em uma década. Inicialmente, as estações serão montadas na Baixada Fluminense e nas regiões Norte e Nordeste. A empresária diz estar pronta para iniciar a atuação no Brasil caso a medida avance na ANP, chegue às audiências públicas em 45 dias e se transforme em legislação.
Redução de preço e impacto social
Giampietri argumenta que o botijão pode ficar pelo menos R$ 20 mais barato no Brasil com a redução do custo da cadeia logística. Ela também afirma que permitir o fracionamento vai beneficiar os usuários do programa social Gás do Povo. No entanto, a empresária não detalhou como o programa seria afetado, limitando-se a dizer que as mudanças irão afetar diretamente o seu funcionamento.
Críticas e riscos apontados
O NeoFeed revelou, na segunda-feira, 25 de maio, que o Ministério de Minas e Energia enviou um duro ofício aos cinco diretores da ANP criticando a possibilidade de prosseguimento da pauta sobre o envase fracionado. Cerca de 90% do setor de GLP pertence às quatro maiores distribuidoras: Copa Energia, Supergasbras, Ultragaz e Nacional Gás. Entre os riscos apontados está a entrada do crime organizado no mercado. Giampietri rebateu essa preocupação, afirmando que o crime organizado já está presente no mercado de GLP no modelo atual. Ela também citou que o enchimento remoto é regulamentado nos Estados Unidos e no Canadá.
Posição da PayGas e próximos passos
Giampietri afirmou que não conversou com nenhum diretor da ANP sobre as possíveis mudanças no setor. Ela espera que a proposta avance na reunião da ANP. A empresária defende que a regulamentação do fracionamento pode trazer mais concorrência e benefícios ao consumidor, especialmente os de baixa renda. A fonte não detalhou como seria a logística de segurança nas estações de recarga nem como evitaria adulterações.
