Investidores que compraram títulos de crédito privado nos últimos meses conseguiram ativos que pagam retornos em níveis historicamente elevados, incluindo renda fixa isenta de Imposto de Renda. A combinação de Selic alta e a perspectiva de que continue assim, acima de 12% ou de 13% ao ano, por mais tempo do que esperado no começo de 2026, a desaceleração econômica no Brasil e o custo financeiro apertado aumentou o prêmio exigido por investidores. Em várias operações, o spread – prêmio pago a investidores em relação a títulos públicos – aumentou no mercado secundário, mesmo para papéis isentos da cobrança de IR.
Retornos médios em patamares históricos
Em um grupo de 357 debêntures incentivadas de grandes empresas, o retorno médio atinge IPCA mais 8,41% ao ano no mercado secundário. Outro conjunto, com 30 títulos isentos de IR que pagam CDI mais uma taxa, a rentabilidade média alcança CDI+ 3% ao ano. Mesmo durante uma das maiores recessões da história recente da economia brasileira, entre 2015 e 2016, as taxas médias ficaram na faixa de inflação (IPCA) mais 8% a 9% ao ano. Os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) chegam a pagar ainda mais que as debêntures.
CRIs e CRAs com taxas ainda maiores
CRAs da MBRF com vencimentos em 2030 e 2031 alcançam retornos de IPCA+ 10,45% e 10,18% ao ano, respectivamente. A rede de medicina diagnóstica Dasa tem CRIs com vencimentos em 2029 e 2032 ofertados no mercado secundário com retornos de até IPCA+ 13,78%. Entre as debêntures, o título com vencimento em 2035 da V.tal, controlada pelo BTG Pactual, aparece no mercado secundário negociada a um rendimento de IPCA+ 10,6% ao ano. Para comparar, um papel com cobrança de IR teria que entregar taxas de IPCA+ 12,85% a IPCA+ 13,7%, dependendo da alíquota do imposto, para igualar esse ganho.
Debêntures atreladas ao CDI
No grupo de debêntures atreladas ao CDI, papéis da Cosan aparecem com retornos de CDI+ 2,5% ao ano para título com vencimento em 2030 e CDI+ 2,72% para debênture com prazo até 2035. A Aegea tem ativos sendo negociados a CDI+ 3,85% anuais para título de 2032 e CDI+ 3,9% para debênture de 2030. Essas taxas refletem o ambiente de maior aversão ao risco.
Seletividade do mercado após crises
As taxas das debêntures, CRIs e CRAs têm subido porque o mercado ficou bem mais seletivo depois das crises financeiras com pedidos em série de recuperação extrajudicial e judicial. Empresas como Raízen, GPA, Oncoclínicas, Kora Saúde e Grupo Toky pediram proteção contra credores e entraram em processos de reestruturação das dívidas. Esse cenário elevou o prêmio de risco exigido pelos investidores, mesmo para títulos de grandes empresas.
Fonte
- investnews.com.br
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