Fundos da BRB DTVM perdem R$ 2,5 bilhões com crise Master
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Queda de R$ 2,54 bilhões em seis meses

O patrimônio líquido dos fundos administrados pela BRB DTVM encolheu R$ 2,54 bilhões desde o agravamento da crise envolvendo o Banco Master e a deflagração da Operação Compliance Zero. Dados compilados pelo Money Times a partir de informes enviados à CVM mostram forte saída de recursos desde novembro de 2025. Os números consideram a soma regulatória simples dos fundos e classes administrados pela BRB DTVM, com dupla contagem parcial nos valores agregados.

A deterioração concentrou-se quase integralmente nos fundos abertos de renda fixa. A soma bruta do patrimônio líquido desses fundos caiu de cerca de R$ 3,6 bilhões em 17 de novembro de 2025 para aproximadamente R$ 1,06 bilhão em 21 de maio de 2026 — uma retração de aproximadamente R$ 2,54 bilhões.

Fluxo líquido negativo de R$ 2,64 bilhões

Os fundos de renda fixa administrados pela BRB DTVM registraram cerca de R$ 5,32 bilhões em captações e R$ 7,95 bilhões em resgates brutos entre novembro de 2025 e maio de 2026, resultando em fluxo líquido negativo de aproximadamente R$ 2,64 bilhões. A redução do patrimônio veio acompanhada de forte diminuição no número de cotistas em parte relevante dos fundos da casa.

A semana é considerada decisiva para o BRB, que tenta concluir uma estrutura de financiamento crucial para sua liquidez e reorganização financeira após a crise envolvendo o Banco Master. Pela regulação brasileira, o patrimônio dos fundos é segregado do patrimônio do banco administrador.

BRB Rende Fácil perde 99% do patrimônio

O principal impacto patrimonial veio do BRB Rende Fácil RF CP Automático, que saiu de cerca de R$ 1,25 bilhão em patrimônio líquido em 17 de novembro de 2025 para apenas R$ 11,8 milhões em abril de 2026 — redução de aproximadamente 99% do patrimônio. O número de cotistas do fundo caiu de 25.849 para 10.302 no mesmo período, perda de mais de 15 mil investidores.

O BRB 1 Milhão era um fundo aberto, de prazo indeterminado e com resgate permitido a qualquer momento, e foi zerado até abril de 2026. O esvaziamento do Rende Fácil ocorreu em um fundo que mantinha perfil altamente líquido, concentrado principalmente em operações compromissadas lastreadas em títulos públicos e disponibilidades de caixa.

Resgates recordes em novembro e dezembro

Em 21 de novembro de 2025, o fundo BRB Rende Fácil RF CP Automático registrou cerca de R$ 508,2 milhões em resgates brutos. Em 24 de dezembro de 2025, o fundo registrou cerca de R$ 686,1 milhões em saídas brutas. Esses valores mostram a magnitude da fuga de recursos em momentos críticos da crise.

Exposição a debêntures e fundos imobiliários

Em abril de 2026, o BRB Capital mantinha cerca de 99,1% de seu patrimônio aplicado no BRB IMA-S. Já o BRB Rende Mais Tesouro tinha cerca de 99,9% de seu patrimônio aplicado no mesmo fundo. Os fundos BRB Hiper CP, BRB Super CP e BRB Mega CP mantinham entre 98% e 99% do patrimônio aplicados no BRB Crédito Corporativo.

Cerca de 52,6% da carteira do BRB Crédito Corporativo estava alocada em debêntures. O patrimônio conjunto dos fundos imobiliários administrados pela BRB DTVM saiu de cerca de R$ 1,16 bilhão para aproximadamente R$ 1,14 bilhão entre novembro de 2025 e abril de 2026 — variação pequena em comparação com os fundos de renda fixa.

A crise envolvendo o Banco Master continua a impactar a BRB DTVM, que busca reestruturar sua liquidez. A fonte não detalhou as medidas futuras para conter a saída de recursos.

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