Petróleo deve ser motor externo do PIB em 2025 sem super agro
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O petróleo superou a soja como o principal item da pauta exportadora brasileira e deve assumir o papel de motor externo do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, em um cenário de arrefecimento do agronegócio. Enquanto o setor agropecuário enfrenta queda na rentabilidade, a indústria e o consumo das famílias ganham tração, impulsionados por estímulos fiscais e pelo mercado de trabalho aquecido. As projeções indicam um crescimento econômico mais difundido, mas com desafios setoriais.

Agro perde força, petróleo ganha espaço

O PIB do agronegócio saltou 12,2% no ano passado, mas as perspectivas para 2025 são mais modestas. Para 2026, as projeções apontam avanço entre 1% (Rio Bravo) e 3,9% (G5 Partners). Rodolfo Margato, economista da XP, afirma que o setor entregará contribuição positiva de 2,3% no consolidado do ano. No primeiro trimestre, a soja será o destaque, com expansão estimada entre 4% e 5%.

No entanto, a verdadeira pressão sobre o campo está na rentabilidade, espremida pelo endividamento, queda internacional nos preços das commodities e alta nos custos de produção. Paralelamente, o petróleo superou a soja como o principal item da pauta exportadora brasileira, sinalizando uma mudança na composição do motor externo da economia.

Indústria cresce com extração de petróleo

Segundo Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners, espera-se um crescimento de 0,9% na indústria como um todo. Esse avanço é puxado fundamentalmente pela extração de petróleo e pela venda de veículos. A atividade industrial, portanto, encontra suporte em setores específicos, enquanto outros ramos ainda enfrentam dificuldades. A extração de petróleo, em particular, beneficia-se do aumento da produção e da demanda externa, consolidando-se como um dos pilares do PIB industrial.

Consumo das famílias se recupera com impulso fiscal

Na leitura de Gabriel Couto, economista do Santander, o crescimento econômico bem difundido neste início de ano é resultado direto do ‘impulso fiscal’. Esse impulso inclui a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e o mercado de trabalho aquecido.

Margato, da XP, projeta uma recuperação do consumo das famílias de 0,8% no primeiro trimestre, ancorada no desemprego em baixa (entre 5% e 5,6%) e nos estímulos governamentais. A combinação de menor carga tributária e maior renda disponível tende a sustentar a demanda doméstica, compensando em parte a desaceleração do agronegócio.

Brasil como ‘vencedor relativo’ no cenário global

Margato afirma que o Brasil é visto como um ‘vencedor relativo’ no cenário geopolítico atual. Essa percepção decorre da capacidade do país de se beneficiar de fatores externos, como a demanda por petróleo e a reorganização das cadeias globais de suprimento. Apesar dos desafios no campo, a economia brasileira apresenta resiliência, com setores diversificados contribuindo para o crescimento. O petróleo, em particular, emerge como um ativo estratégico, capaz de impulsionar as exportações e gerar divisas em um momento de incertezas internacionais.

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