Pressão sobre Pequim
Brasil e Austrália estão na China esta semana para pressionar o governo chinês a permitir um maior embarque de carne bovina. Os ministros da Agricultura do Brasil, André de Paula, e do Comércio da Austrália, Don Farrell, buscam renegociar o sistema de cotas implementado em dezembro do ano passado. A China é o maior importador de carne bovina do mundo, e qualquer alteração nas regras pode impactar significativamente os exportadores.
O sistema de cotas imporá uma tarifa de 55% sobre os embarques do Brasil e da Austrália já no próximo mês, se o ritmo atual de embarques continuar. Para evitar essa sobretaxa, os dois países querem que a China realoque cotas de exportação não utilizadas de outras nações para eles. Até o final de março, a Argentina havia utilizado 27,5% de suas cotas, o Uruguai 15% e a Nova Zelândia 14%, o que indica que há margem para realocação.
Impactos econômicos
Os números envolvidos são expressivos. A China absorveu produtos no valor de quase US$ 3 bilhões do Brasil no primeiro trimestre deste ano. Já da Austrália, foram cerca de US$ 1 bilhão no mesmo período. Caso as cotas não sejam alteradas, o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em receita de exportação este ano, segundo a Abrafrigo. A situação é crítica para os produtores, que já enfrentam um mercado interno chinês pouco lucrativo.
Autoridades australianas também discutiram com a China a isenção de ossos e carne resfriada da cota, o que poderia aliviar a pressão sobre os exportadores. No entanto, até o momento, não há confirmação de que essa proposta será aceita.
Reuniões anteriores e contexto
Brasil e Austrália já pressionaram por mudanças em reuniões anteriores com autoridades chinesas, mas sem sucesso. Desta vez, a visita ocorre após a recente abertura do mercado chinês para produtores norte-americanos, após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China na semana passada. Esse movimento pode ter aumentado a pressão sobre os exportadores brasileiros e australianos.
O Ministério do Comércio e o Departamento de Alfândega da China não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A embaixada do Brasil em Pequim também não respondeu a um pedido de comentário. A falta de posicionamento oficial mantém a incerteza sobre o futuro das negociações.
Perspectivas do setor
Muitos negócios chineses de carne bovina não têm sido lucrativos nos últimos anos, o que pode influenciar a disposição de Pequim em renegociar as cotas. Isabel Nepstad, presidente-executivo da BellaTerra Consulting em Xangai, acompanha o setor de perto, mas a fonte não detalhou sua opinião específica sobre o assunto. O que se sabe é que a pressão diplomática continua, e os próximos dias serão decisivos para definir se as tarifas serão aplicadas ou se haverá um acordo.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
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