Mercado de arte de super-ricos perde fôlego
Crédito: investnews.com.br
Crédito: <a href="https://investnews.com.br/the-wall-street-journal/warhol-sai-de-cena-gulfstreams-entram-super-ricos-perdem-interesse-por-arte/" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">investnews.com.br</a>

Algo incomum está acontecendo no mercado de arte. As vendas não avançam, enquanto outros setores voltados aos super-ricos — como empresas de jatos privados — estão em plena expansão. O contraste fica evidente quando se comparam os números do setor artístico com o desempenho de outros mercados de luxo.

Vendas globais em ritmo lento

As vendas globais de arte cresceram 4% em 2025, segundo o relatório Art Basel e UBS Art Market Report. No entanto, as vendas seguem bem abaixo dos picos de 2022. Além disso, as vendas estão 7% abaixo dos níveis de 2019, o que indica que o mercado ainda não se recuperou totalmente da pandemia.

Esse desempenho fraco chama atenção, especialmente nos EUA, onde o S&P 500 está próximo de máximas históricas. Portfólios inflados deveriam incentivar famílias ricas a gastar com arte cara, mas isso não está ocorrendo. A desconexão entre a bolha do mercado financeiro e a estagnação artística levanta questões sobre o comportamento dos investidores.

Garantias revelam confiança baixa

Um ponto importante será o número de lotes que chegam ao mercado com lance mínimo garantido. Quando a confiança está baixa, mais vendedores optam por garantias para evitar que suas obras fiquem sem comprador. Os lances em obras sem essa proteção darão uma visão mais clara da demanda real. Esse indicador será crucial para entender a direção do mercado nos próximos meses.

Juros altos mudam o jogo

O mercado de arte pode ter se tornado mais sensível aos juros, especialmente com a popularização da ideia de tratar pinturas como uma classe de ativos. Essa estratégia funcionava quando os juros eram baixos e era possível obter crédito com taxas de cerca de 3%. Hoje, com o custo de financiamento mais alto, o custo de oportunidade de manter dezenas de milhões de dólares em quadros aumentou.

Em média, é preciso manter uma obra por pelo menos 10 anos para empatar — sem considerar custos ocultos como seguro e comissões de casas de leilão, que podem levar o retorno ao negativo. A arte enfrenta tributação mais alta sobre ganhos de capital do que ações nos EUA. Esses fatores tornam o investimento em arte menos atrativo em comparação com outras opções financeiras.

Gerações futuras mudam gostos

Há ainda um risco específico: o gosto das novas gerações pode ser diferente. O mercado atual pode já estar enfrentando esse problema. Os baby boomers, que impulsionaram obras do pós-guerra e contemporâneas, levaram os preços de artistas como Mark Rothko, Andy Warhol e Francis Bacon a níveis exorbitantes. Novos colecionadores estão mais interessados em artistas antes negligenciados, como mulheres e artistas negros.

O valor das obras de Andy Warhol vendidas em leilão no ano passado caiu 85% em relação a 2022, segundo a ArtTactic. Esse dado ilustra como a mudança de preferências pode impactar rapidamente o mercado. A transição demográfica entre colecionadores promete redefinir o que é considerado valioso no mundo da arte.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 38 = 42


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários