3T26: O que esperar da temporada de resultados no Brasil
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Enquanto no Brasil o mercado digere a continuidade das pesquisas eleitorais, nos Estados Unidos o destaque vai para o início da temporada de balanços do terceiro trimestre, tradicionalmente liderada pelos “bancões”. Até o momento, JPMorgan, Wells Fargo e Goldman Sachs divulgaram seus resultados com destaques positivos para os lucros dos bancos. Apesar disso, Augusto Parente, fundador e especialista em investimentos da AW Capital, destacou a dinâmica dos números. Enquanto JPMorgan mostrou alta de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, o Goldman Sachs apresentou elevação de 29%.

Em sua visão, nomes como Morgan Stanley se beneficiam por serem muito bons em Investment Banking (IB). Na outra ponta, o JP Morgan não conseguiu tirar proveito devido ao peso da parte de renda fixa em seus balanços. De modo geral, o analista enxergou o cenário como muito positivo.

Bancos americanos abrem temporada com força

A divulgação dos resultados dos grandes bancos dos Estados Unidos costuma funcionar como um termômetro para o restante da temporada. Neste terceiro trimestre de 2026, os números iniciais trouxeram alívio aos investidores. O JPMorgan, maior banco do país em ativos, reportou lucro 6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Já o Goldman Sachs surpreendeu com uma elevação de 29% no lucro, um desempenho robusto impulsionado por suas operações de banco de investimento.

O Wells Fargo, por sua vez, também apresentou resultados considerados positivos, embora a fonte não tenha detalhado os percentuais exatos de crescimento. Essa combinação de resultados reforça a percepção de que o setor financeiro americano segue resiliente, mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda incerto. A transição para a análise do mercado brasileiro, contudo, exige cautela, pois as dinâmicas são distintas.

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Divergência entre JPMorgan e Goldman Sachs

Augusto Parente chamou a atenção para a diferença expressiva entre os crescimentos de lucro do JPMorgan e do Goldman Sachs. Enquanto o primeiro avançou 6%, o segundo saltou 29% na comparação anual. Para o especialista, essa disparidade reflete a composição dos negócios de cada instituição. O Goldman Sachs, com forte atuação em Investment Banking, conseguiu capturar melhor as oportunidades do período.

Já o JPMorgan, apesar de também possuir uma divisão relevante de banco de investimento, tem um peso maior da área de renda fixa em seus balanços, o que limitou seu desempenho relativo. Parente também mencionou o Morgan Stanley como outro nome que tende a se beneficiar por ser muito bom em Investment Banking. A fonte não detalhou se o Morgan Stanley já havia divulgado seus números até o momento da análise. Ainda assim, a leitura geral do analista foi de um cenário muito positivo para o setor financeiro americano.

O que esperar da temporada brasileira

Assim como nos EUA, Parente espera a temporada de resultados brasileira mais heterogênea. Ainda, ele acredita que ela pode ser mais morna, mas ainda positiva, que as últimas pois o mercado já fez um movimento expressivo. Essa avaliação sugere que os investidores não devem esperar surpresas tão fortes quanto nas temporadas anteriores, quando as ações de diversas empresas subiram de forma acentuada. A heterogeneidade esperada indica que alguns setores devem se sair melhor do que outros, dependendo da sensibilidade ao ciclo econômico e da capacidade de repasse de custos.

O analista não especificou quais setores devem liderar ou ficar para trás, mas o tom geral é de otimismo moderado. A transição para o efeito da política monetária, no entanto, pode adicionar um elemento importante a essa equação.

Efeito dos cortes da Selic

Outra questão que pode refletir, segundo o analista, é a sequência de cortes da Selic, que pode já começar a fazer preço. A redução da taxa básica de juros tende a beneficiar empresas endividadas, ao reduzir o custo financeiro, e também pode estimular o consumo e o investimento. No entanto, o impacto nos balanços do terceiro trimestre pode ser limitado, uma vez que os cortes mais recentes ainda não tiveram tempo suficiente para se refletir plenamente nos resultados.

Ainda assim, a expectativa de juros mais baixos à frente pode influenciar as projeções e o humor do mercado. Parente não detalhou a magnitude dos cortes esperados nem o horizonte de tempo, mas a menção ao tema indica que a política monetária segue no radar dos investidores. Dessa forma, a temporada brasileira pode trazer leituras mais qualitativas do que quantitativas sobre o efeito da Selic.

Leitura geral do analista

De modo geral, o analista enxergou o cenário como muito positivo. Essa visão se baseia tanto nos resultados já divulgados nos Estados Unidos quanto nas expectativas para o Brasil. Apesar de prever uma temporada mais morna e heterogênea por aqui, Parente não sinalizou pessimismo. Pelo contrário, a combinação de balanços americanos fortes e a possibilidade de a Selic começar a fazer preço cria um pano de fundo favorável. A fonte não detalhou projeções específicas para o Ibovespa ou para setores individuais, mas o tom geral é de confiança moderada.

Resta agora acompanhar a divulgação dos resultados das empresas brasileiras para confirmar se as expectativas do especialista se concretizam.

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